sexta-feira, junho 02, 2006

... onde guardarás um suspiro?


Na sombra do silêncio apenas mais um pouco de ontem ainda ficou. Semeaste campos de afecto onde foste boneca de papel... boneca de trapos... boneca de porcelana... sempre frágil de formas mas tão forte de alma.
Resisto imaginar que rumarias mais a sul onde grandes romarias deixam escapar canções de pequenos nadas entoadas pela ausência da mulher que as cantou! Deixo-me escorregar na crença de que outros caminhos ainda se cruzarão pela vida dianteira banindo alguns fantasmas secretos que apenas as tuas mechas deixam distinguir...
De soslaio olho os teus traços do tempo que parecem fundir-se na pedra.
Segredas-me que as tuas horas não são as minhas porque as tuas já começam a faltar ao dia. Comprometidas neste diálogo de memórias inventadas no futuro corriges-me as latitudes mais longínquas fazendo-me acreditar que o azul é apenas de um mar só.
Entre mudanças de vento tempestuosas quantas vezes terás navegado fora da linha de cabotagem?! Como entendes bem o significado dos universos desfeitos entre ausências e recaídas e refeitos na crença de que todos os dias também se erguem monumentos de pequenas vitórias. A vida embriagou-te! A lucidez invade-te!
Olho-te presa ao infinito do que deixaste para trás. Ouço o bater das tuas emoções dissimuladas entre a serenidade e a inquietude...

...onde guardarás um suspiro?

quinta-feira, junho 01, 2006

quarta-feira, maio 31, 2006