sábado, outubro 01, 2005

Acreditar


Quando eu for grande... vou voar para dentro do sentido do valor de outras pequenas coisas. Sentir que há cortinas que se abrem em sorrisos sob olhares brilhantes. Voltar a ver que o descompasso do bater do coração é apenas da emoção.

Por agora quero continuar criança, manter-me na protecção da posição fetal de mão dada com o cordão umbilical...

Quero pensar que o sol brilha sobre flores lançadas ao mar... porque o dia é de festa. Ver nos teus olhos que ainda posso acreditar que há razões para acreditar!

quarta-feira, setembro 28, 2005

(in)color

Um dia fui o que sou


Sem bálsamo nem incenso sente-se o cheiro do couto de vela agarrado ao prato velho de barro... arde-me a cara nesta réstia de luz. Ilumino o frágil virar de mais uma folha de vida. Página a página passo folhas encarquilhadas pela humidade amarela de tempos em que o tempo não contou. Toco o livro do que fui nas páginas por escrever do que sou. Sinto o indolor e incolor dos retalhos do meu seu ser... doem-me as marcas vincadas na pele da alma. Quem me dera voltar a ser menina do sertão e soltar ao ar tudo o fui e agarrar o que me resta ser no sorriso que ainda sou capaz de esboçar!

terça-feira, setembro 27, 2005

... circunspecção!


Erguem-se imagens escondidas no porão do sonho. Tudo é vago do que emerge da escuridão branca do rio azul esverdeado. No cinza da neblina esvoaça o vulto surrealista de sentimentos e acasos coloridos. Paira a ideia pálida da trajectória do olhar que se perde na descoberta de sombras incertas.

Tenuemente alvorece a mente nos restos desta circunspecção!