terça-feira, junho 06, 2006

sexta-feira, junho 02, 2006

... onde guardarás um suspiro?


Na sombra do silêncio apenas mais um pouco de ontem ainda ficou. Semeaste campos de afecto onde foste boneca de papel... boneca de trapos... boneca de porcelana... sempre frágil de formas mas tão forte de alma.
Resisto imaginar que rumarias mais a sul onde grandes romarias deixam escapar canções de pequenos nadas entoadas pela ausência da mulher que as cantou! Deixo-me escorregar na crença de que outros caminhos ainda se cruzarão pela vida dianteira banindo alguns fantasmas secretos que apenas as tuas mechas deixam distinguir...
De soslaio olho os teus traços do tempo que parecem fundir-se na pedra.
Segredas-me que as tuas horas não são as minhas porque as tuas já começam a faltar ao dia. Comprometidas neste diálogo de memórias inventadas no futuro corriges-me as latitudes mais longínquas fazendo-me acreditar que o azul é apenas de um mar só.
Entre mudanças de vento tempestuosas quantas vezes terás navegado fora da linha de cabotagem?! Como entendes bem o significado dos universos desfeitos entre ausências e recaídas e refeitos na crença de que todos os dias também se erguem monumentos de pequenas vitórias. A vida embriagou-te! A lucidez invade-te!
Olho-te presa ao infinito do que deixaste para trás. Ouço o bater das tuas emoções dissimuladas entre a serenidade e a inquietude...

...onde guardarás um suspiro?

quinta-feira, junho 01, 2006

quarta-feira, maio 31, 2006

quarta-feira, maio 24, 2006


Visto a bagagem de mais uma viagem onde levo a criança que fui e as que criei... as prendas que abri e embrulhei... o que acreditei e desconfiei... os amigos que perdi e ganhei... as pessoas que amo e amei... dias felizes outros nem assim... as memórias feitas do agora no ontem e desfeitas no amanhã... a interrogação do ponto final... as histórias que ficaram a meio e outras por contar... a riqueza que espreito nos Olhares de uns e de outros...
a paz que desejo ver mas ainda não chegou... a esperança que quero ter...

Entre barreiras humanas tocam-me os sons do sabor a nada do que fica por dizer nas palavras que se perdem na tradução por fazer... Caminho tocando o chão como se fosse céu... queria tocar uma estrela mágica e apenas mudar o que há para mudar!

Guardo a ideia peregrina de que ainda Resta Esperança!

terça-feira, maio 16, 2006

quinta-feira, maio 11, 2006

Passing Through







... magnifying mind ...
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terça-feira, abril 25, 2006

through the looking glass

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... ...are you there... ... ?

domingo, abril 23, 2006

quinta-feira, abril 20, 2006

domingo, abril 16, 2006

m. de multidão


andavámos os dois. a entregar os pés à calçada. ao chão amadurecido de cinzento preto e branco. às ervas que pintavam os passos. entre as pedras. cansadas. entre as pedras. cinzentas e pintadas de passos. verdes. cansados.andavámos os dois. sozinhos dentro cada um. do seu próprio corpo. e de vez em quando. olhávamos as montras. e as montras vazavam-se para dentro de nós. e eramos a montra e os vestidos calçava-nos. as mãos. e à noite. estávamos dentro dos corpos dos vestidos. sozinhos virados para a rua.e as pessoas. falavam do que tinham comido ontem à noite. com o sabor do café bebido de manhã na boca. falavam da televisão e dos homens que mataram duzentas pessoas. enquanto dormiam sossegados nas suas casas. e os seus filhos. contavam as estrelas. e amavam-se. com beijos na boca. e as pessoas. mortas. nasciam de novo. em cada beijo. e depois. morriam outra vez. e andavámos os dois. sozinhos. a encolher os ombros à multidão. que se chamava. multidão e que sabia o nome a dar. a cada par de sapatos. entregue à calçada. cansada. pintada de passos. cinzenta a preto e branco. e com ervas a nascer. entre os espaços das pedras.m. de multidão.

João

Obrigada. João http://osdiasdasnoites.blogspot.com/

quarta-feira, abril 12, 2006



You Think It's Like This ... But Really It's Like This!

segunda-feira, abril 03, 2006

quarta-feira, março 29, 2006

quinta-feira, março 23, 2006

terça-feira, março 21, 2006

sábado, março 18, 2006

segunda-feira, março 13, 2006

terça-feira, março 07, 2006

... quimica dos afectos!



Ontem adormeceram-me! Hoje acordaram-me para me voltarem a adormecer! Vagueio dormente entre o passado e o presente onde o futuro não tem lugar.
Passo a gilete lentamente pelo rosto enrugado. As gelhas da pele são ainda a expressão mais visível do que já não sou e me transformei. Um ser sem expressão, olhar vazio e passo arrastado perdido entre os muros altos deste estar aqui em que o tempo passa indiferente.
Olho-me no espelho e já não me vejo... a silhueta do que vejo é uma sombra do que fui.
Olho fixamente o infinito e já nem o imaginário conheço. Vislumbro apenas em linha recta os fantasmas em que tropeço. Ouço-os e respondo-lhes em diálogos que se cruzam no monólogo solitário. Já não conheço a saudade!
Adormecido e alheado sigo em circulares internas do curto espaço da praça. Não sei onde vou nem se quero ir porque perdi o que procuro... ou procurei?!
Entrego-me na sensação da moleza de Prozac’s e Xanax’s ou outros tantos genéricos do género. Importa andar, rodopiar... sem importunar.
Acalento-me nas réstias da sensibilidade que me ficou, mas continuo sem conhecer o caminho que faço todos os dias... vou de lá para cá ... rodo... paro... e sigo de cá para lá. Sem saber por onde quero ir... fico! Retomo a rotina do meu delírio anestesiado em químicos que abafam a falta da química dos afectos!



(Hospital Psiquiátrico do Lorvão, Fevereiro 2006)

quarta-feira, março 01, 2006

domingo, fevereiro 19, 2006


Sigo-te... para subir de novo contigo!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

(paralela)mente



Demarco na mente limites da dimensão paralela atemporal do real enviesado. Esboroam-se desvaneios das linhas que escrevo em fantasias oblíquas. Narrativas viradas do avesso com o que me veio à mente!
Não falo... fico... não estou... sou... uma linha recta curva paralela à mente!

sábado, fevereiro 11, 2006


Conversas em redor de relatos de episódios passados, com repercussões no presente e no futuro... desembocam na expressão: ao longo da vida!
Fica-me a bailar a questão: “Quer dizer na largura ou no comprimento da vida?!...” Meti-me em conversas com os meus botões a pensar em larguras e comprimentos... da vida! Medidas de vida... sem balança, fita métrica, fio de prumo, nível ou medidas de capacidade... pouco concluí sobre a dimensão da verticalidade e horizontalidade da vida!

Vivo ... apenas!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

tesouros escondidos



Erguemos castelos de areia que tocam os palácios das nuvens onde vivem fadas e duendes vestidos de azul celeste marinho. Brinca comigo neste passeio da idade... serei marinheiro sem fragata e tu sereia rainha da areia.
Mil descobertas faremos de tesouros escondidos em baús com pérolas, rubis e safiras... que em segredo fingimos serem apenas grãos de areia!

Quantas conchas e estrelas do mar precisamos para construir estradas de madrepérola para o sonho continuar a caminhar?...

sábado, fevereiro 04, 2006

(temporal)idades





Não sei se te disse mas perdi o tempo. Não foi tempo perdido mas a evasão temporal que se apoderou de mim. Perdi-me na contemplação da fotografia das últimas palavras. Não te disse adeus porque não sei como se diz. Fico sentado com os olhos pregados em mim no que fomos e jamais seremos. Sem saudade porque sei que existes. Sem despedidas porque o comboio que parte volta na viagem seguinte. Parto com o aroma dos teus cabelos presos no laçarote da minha memória. Fica-me no tempo o sabor a café do beijo trocado na falta de tempo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

p/b






Misturámos os nossos preto e branco e pintámos um palhaço de nariz cor de igualdade. O fato ficou às riscas entre cores de amizade e o esbatido da saudade. De chapeuzinho cor de esperança e laçarote apertado ao pescoço traçámos nos lábios sorrisos de felicidade.
Demos de novo as mãos... sujas de tintas diferentes... voltámos à tela para desenhar um mundo cheio de todas as cores onde os nossos preto e branco não se notam nem se sentem!