




... magnifying mind ...
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andavámos os dois. a entregar os pés à calçada. ao chão amadurecido de cinzento preto e branco. às ervas que pintavam os passos. entre as pedras. cansadas. entre as pedras. cinzentas e pintadas de passos. verdes. cansados.andavámos os dois. sozinhos dentro cada um. do seu próprio corpo. e de vez em quando. olhávamos as montras. e as montras vazavam-se para dentro de nós. e eramos a montra e os vestidos calçava-nos. as mãos. e à noite. estávamos dentro dos corpos dos vestidos. sozinhos virados para a rua.e as pessoas. falavam do que tinham comido ontem à noite. com o sabor do café bebido de manhã na boca. falavam da televisão e dos homens que mataram duzentas pessoas. enquanto dormiam sossegados nas suas casas. e os seus filhos. contavam as estrelas. e amavam-se. com beijos na boca. e as pessoas. mortas. nasciam de novo. em cada beijo. e depois. morriam outra vez. e andavámos os dois. sozinhos. a encolher os ombros à multidão. que se chamava. multidão e que sabia o nome a dar. a cada par de sapatos. entregue à calçada. cansada. pintada de passos. cinzenta a preto e branco. e com ervas a nascer. entre os espaços das pedras.m. de multidão.
João
Obrigada. João http://osdiasdasnoites.blogspot.com/




