
Parece que o amanhecer corre fragmentado por entre a ventania leve de um dia que vai ser de verão. Corta-te o ar quente de pequenas rajadas que fazem esvoaçar os cabelos pelo rosto. Custa-te a abrir os olhos semicerrados. Teimas e espreitas a manhã pintalgada de amarelo desmaiado. Num sopro afastas a madeixa que insiste beijar-te os lábios. Apressam-se os passos marcados pelo que nem sabes que tens para fazer. Passo a passo segues no sentido de um único percurso de entre tantos. Ouço-te, ainda, a respiração que serviu de companhia ao meu caminhar. Sem palavras falas-me do ontem da magia dos passeios que ficaram por fazer. Imaginárias as viagens feitas em aviões de papel escritas em tinta permanente do sonho teimoso de partir. Escrevíamos longos apontamentos de jornadas por terra e por mar. Ainda guardo a sebenta rosa desbotado de memórias dos itinerários em que a rota não passava de uma lista de devaneios desejados. Apressas o passo... voa-te o pensar para mais longe dali. Um dia a viagem chegou na partida que não saiu daqui. Revês páginas cheias do branco por escrever... abrandas o passo ... inerte enxergas a sombra da fragilidade que deixas no preto do alcatrão. Toca-te a multidão que atropela as recordações. Acotovela-se o mistério da vontade de seguir por aí. Esgueiram-se memórias que embaciam os olhos da neblina que desapareceu. Enfeitiçada rumas ao que de novo te leva num toque subtil de mão dada
[a]pressa[da]mente...






































