domingo, agosto 28, 2005

Bordado de Vida













Que importa tocar piano, falar francês quando os teus dedos bordam pontos de sonho em seda selvagem?!!! Crivas o ponto-pé-de-flor desenhado em tecidos finos no tear do teu saber e viver. Bordas no pano as rugas de mãos delicadas que amassam o pão nosso de cada dia, cavado no pó fino da terra agreste. Ponto... a ... ponto... crescem em panos de linho a estopa de canteiros bordados em terrenos arados por ti. As linhas das tuas mãos, bordadas a ponto cruz, reflectem as dores de filhos paridos... alimentados na tua seiva láctea materna. Geram-se elos vincados em nós que abraçam o laço da fragilidade do teu ser. Desatas os atilhos do teu sentir... libertas as asas do sonho e vagueias os sentidos pelos sons do movimento das crianças. Parada... pareces ter partido na ausência de quem acaba de chegar retomando lentamente a pressa de mais uma flor bordar. Moves os dedos securizantes alinhavando monogramas de fios de lágrimas e sorrisos. Enxugas o rosto no quente do lume do fogão consumida pelo frio do laço que se quebrou no tempo... silenciosamente! Perdeste a conta ao vazio preenchido pelo abandono dos lençóis que perfumaste nas rosas silvestres das águas do ribeiro. Permaneces quieta no bulir agitado do coser de mais um botão de camisas sem dono. Ficam pregados a ti, em pontos apertados de bordados de vida, filhos gerados entre panos de linho branco do que restou da cor do amor! Percorres os teus rituais... reencontras instantes preenchidos a ponto cheio da garantia de que nem sempre consegues ser tu... por eles!

1 comentário:

Ana Paula Moreira disse...

Parabens pelo Blog! Gostei imenso de ler os seus textos. Força para continuar. Um beijito com carinho.