
Já não sei! Perdi-me na rota do passado. Queria sair da baía e deixar na doca pensamentos salpicados de sal do mar tempestuoso. Suspensa em mim parei o andar sem saber por onde seguir. Aguardei por um sinal tentando que os meus medos não se tornassem maiores que a nuvem negra que se aproximava. Agarrei com força a corda da âncora que não deixava o barco sair dali... com ele permaneci como a mão do enfermo se agarra à vida! Os marinheiros e as gaivotas tinham seguido para terra firme .. apenas o avermelhado sumido do farol dá sinal de que a vida ainda pode andar por aí... Por aqui? Ou por acolá?... fiquei por ali até que uma mão me indicasse o caminho!
Devagarinho o vento levou a tempestade dali... passou um velho lobo do mar que me deu a mão calejada do leme da embarcação.!
Passou-me a sua capa azul de textura dura e então amoleci na esperança da tranquilidade de um porto seguro... No alpendre da cabana observei o lobo do mar ... De barbas brancas e tez queimada em que cada ruga tem ondas de mil histórias de mar! Ali parado parecia enorme! Olhando o horizonte misturava o cheiro do cachimbo com o fumo do café! Aconchegou nos lábios os raios mornos do sol matinal e ainda disse “Já passou!” .... com as suas meias gastas senti-me uma sereia vestida de lantejoulas e sapatinhos de cristal!
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