terça-feira, março 29, 2011

... um pouco mais para ali!



O mundo quase me caiu em cima. Ironias, pois diz-se por aqui que os espíritos andam em paz e que tudo é diferente.
Há quartos secretos, passagens escondidas, paredes falsas e temos por hábito a terrível ideia de nos pendurarmos de cabeça para baixo. Outros esconderão a cabeça num buraco de areia.
De volta à mesa redonda do canto da sala, ajeito o corpo nas almofadas que me amolecem a vontade. Beberico em pequenos golos o chá quente que fumega desenhos que se desfazem no ar misturados com o fumo do teu cigarro. Demoro lentamente este momento em que palavra-puxa-palavra acabamos a “calhandrar” a vida dos outros, sem fazer mal a ninguém. Segredos ingénuos, sem malícia gravam-se nas paredes sólidas da sala de estar a que chamo sala de ficar por ali. Porque o tempo convida a ficar!
Observo os teus gestos preguiçosos num jogo de empurra das migalhas do pão-de-ló, ora ordenadas em carreirinhos ora dispostas à mercê de um cheque-mate.

Sobressaltas-me no desafio “Vá…diz o que estavas a pensar…”

O toque acusou-se a energia da trémula inércia … En gard… touché… quão valente este golpe de esgrima de palavras misturadas nos sentimentos que não se sabem. 
A pele da face arde-me do calor rosado da marca do que penso. Se dissesse o que penso com tudo o que sei… esvaziava-me!
Aninho-me como que num exercício de sobrevivência tentando que o mundo caia… um pouco mais para ali!

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