Transpirava-se-me o cansaço das lides domésticas. Respiro fundo para recuperar as forças e seguir com mais umas quantas sacudidelas dos tapetes pesados de lã. Entre os movimentos próprios do zelo de uma dona de casa … quase esmerada… (tem dias!)… dou com os olhos numa mancha esbranquiçada no soalho de madeira. “Mau… queres ver que o jovem de meia-idade andou por aqui a espalhar a massa cremosa e milagrosa anti-idade?”
Meto a mão na massa… literalmente. Apertei forte e friccionei entre os dedos o “creme branco”, que afinal também tinha uns quantos verdes à mistura. Manhas e artimanhas levam-me a procurar alternativas para perceber o que nem sempre vejo. Puxo pela criatividade da coisa e tento o aroma … em vão. Não funcionou. Enquanto ia matutando para descobrir qual teria sido a mistela usada pelo “jovem”, continuei a apertar a pasta afincada e demoradamente entre o indicador e o polegar. A sensação passou a quase ácida pois o unto pastoso parecia agora corroer-me a pele. Afinei o olhar e encontrei mais um risco diagonal branco numa das gavetas da cómoda. A agonia do vómito apoderou-se do momento…
Faz tempo que as andorinhas chegaram. Entram pela casa dentro desnorteadas e largam as famigeradas cagadelas que ficam num registo tipo miscelânea cremosa cuja assinatura é anónima e que julguei ser mezinhas de mal-de-idade.

3 comentários:
:)
toina!
E uma bengalinha, não?!
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