terça-feira, maio 16, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
terça-feira, abril 25, 2006
domingo, abril 23, 2006
quinta-feira, abril 20, 2006
domingo, abril 16, 2006
m. de multidão

andavámos os dois. a entregar os pés à calçada. ao chão amadurecido de cinzento preto e branco. às ervas que pintavam os passos. entre as pedras. cansadas. entre as pedras. cinzentas e pintadas de passos. verdes. cansados.andavámos os dois. sozinhos dentro cada um. do seu próprio corpo. e de vez em quando. olhávamos as montras. e as montras vazavam-se para dentro de nós. e eramos a montra e os vestidos calçava-nos. as mãos. e à noite. estávamos dentro dos corpos dos vestidos. sozinhos virados para a rua.e as pessoas. falavam do que tinham comido ontem à noite. com o sabor do café bebido de manhã na boca. falavam da televisão e dos homens que mataram duzentas pessoas. enquanto dormiam sossegados nas suas casas. e os seus filhos. contavam as estrelas. e amavam-se. com beijos na boca. e as pessoas. mortas. nasciam de novo. em cada beijo. e depois. morriam outra vez. e andavámos os dois. sozinhos. a encolher os ombros à multidão. que se chamava. multidão e que sabia o nome a dar. a cada par de sapatos. entregue à calçada. cansada. pintada de passos. cinzenta a preto e branco. e com ervas a nascer. entre os espaços das pedras.m. de multidão.
João
Obrigada. João http://osdiasdasnoites.blogspot.com/
segunda-feira, abril 03, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
quinta-feira, março 23, 2006
terça-feira, março 21, 2006
sábado, março 18, 2006
segunda-feira, março 13, 2006
terça-feira, março 07, 2006
... quimica dos afectos!

Ontem adormeceram-me! Hoje acordaram-me para me voltarem a adormecer! Vagueio dormente entre o passado e o presente onde o futuro não tem lugar.
Passo a gilete lentamente pelo rosto enrugado. As gelhas da pele são ainda a expressão mais visível do que já não sou e me transformei. Um ser sem expressão, olhar vazio e passo arrastado perdido entre os muros altos deste estar aqui em que o tempo passa indiferente.
Olho-me no espelho e já não me vejo... a silhueta do que vejo é uma sombra do que fui.
Olho fixamente o infinito e já nem o imaginário conheço. Vislumbro apenas em linha recta os fantasmas em que tropeço. Ouço-os e respondo-lhes em diálogos que se cruzam no monólogo solitário. Já não conheço a saudade!
Adormecido e alheado sigo em circulares internas do curto espaço da praça. Não sei onde vou nem se quero ir porque perdi o que procuro... ou procurei?!
Entrego-me na sensação da moleza de Prozac’s e Xanax’s ou outros tantos genéricos do género. Importa andar, rodopiar... sem importunar.
Acalento-me nas réstias da sensibilidade que me ficou, mas continuo sem conhecer o caminho que faço todos os dias... vou de lá para cá ... rodo... paro... e sigo de cá para lá. Sem saber por onde quero ir... fico! Retomo a rotina do meu delírio anestesiado em químicos que abafam a falta da química dos afectos!
(Hospital Psiquiátrico do Lorvão, Fevereiro 2006)
quarta-feira, março 01, 2006
domingo, fevereiro 19, 2006
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
(paralela)mente
sábado, fevereiro 11, 2006

Conversas em redor de relatos de episódios passados, com repercussões no presente e no futuro... desembocam na expressão: ao longo da vida!
Fica-me a bailar a questão: “Quer dizer na largura ou no comprimento da vida?!...” Meti-me em conversas com os meus botões a pensar em larguras e comprimentos... da vida! Medidas de vida... sem balança, fita métrica, fio de prumo, nível ou medidas de capacidade... pouco concluí sobre a dimensão da verticalidade e horizontalidade da vida!
Vivo ... apenas!
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
tesouros escondidos

Erguemos castelos de areia que tocam os palácios das nuvens onde vivem fadas e duendes vestidos de azul celeste marinho. Brinca comigo neste passeio da idade... serei marinheiro sem fragata e tu sereia rainha da areia.
Mil descobertas faremos de tesouros escondidos em baús com pérolas, rubis e safiras... que em segredo fingimos serem apenas grãos de areia!
Quantas conchas e estrelas do mar precisamos para construir estradas de madrepérola para o sonho continuar a caminhar?...
sábado, fevereiro 04, 2006
(temporal)idades


Não sei se te disse mas perdi o tempo. Não foi tempo perdido mas a evasão temporal que se apoderou de mim. Perdi-me na contemplação da fotografia das últimas palavras. Não te disse adeus porque não sei como se diz. Fico sentado com os olhos pregados em mim no que fomos e jamais seremos. Sem saudade porque sei que existes. Sem despedidas porque o comboio que parte volta na viagem seguinte. Parto com o aroma dos teus cabelos presos no laçarote da minha memória. Fica-me no tempo o sabor a café do beijo trocado na falta de tempo.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
p/b





Misturámos os nossos preto e branco e pintámos um palhaço de nariz cor de igualdade. O fato ficou às riscas entre cores de amizade e o esbatido da saudade. De chapeuzinho cor de esperança e laçarote apertado ao pescoço traçámos nos lábios sorrisos de felicidade.
Demos de novo as mãos... sujas de tintas diferentes... voltámos à tela para desenhar um mundo cheio de todas as cores onde os nossos preto e branco não se notam nem se sentem!
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
pedaços de nada...
quinta-feira, janeiro 26, 2006
terça-feira, janeiro 24, 2006
sapatinhos de cristal

Já não sei! Perdi-me na rota do passado. Queria sair da baía e deixar na doca pensamentos salpicados de sal do mar tempestuoso. Suspensa em mim parei o andar sem saber por onde seguir. Aguardei por um sinal tentando que os meus medos não se tornassem maiores que a nuvem negra que se aproximava. Agarrei com força a corda da âncora que não deixava o barco sair dali... com ele permaneci como a mão do enfermo se agarra à vida! Os marinheiros e as gaivotas tinham seguido para terra firme .. apenas o avermelhado sumido do farol dá sinal de que a vida ainda pode andar por aí... Por aqui? Ou por acolá?... fiquei por ali até que uma mão me indicasse o caminho!
Devagarinho o vento levou a tempestade dali... passou um velho lobo do mar que me deu a mão calejada do leme da embarcação.!
Passou-me a sua capa azul de textura dura e então amoleci na esperança da tranquilidade de um porto seguro... No alpendre da cabana observei o lobo do mar ... De barbas brancas e tez queimada em que cada ruga tem ondas de mil histórias de mar! Ali parado parecia enorme! Olhando o horizonte misturava o cheiro do cachimbo com o fumo do café! Aconchegou nos lábios os raios mornos do sol matinal e ainda disse “Já passou!” .... com as suas meias gastas senti-me uma sereia vestida de lantejoulas e sapatinhos de cristal!




































