quinta-feira, janeiro 05, 2006

(terna)mente



... olho o tempo que apagou os restos de nós. Pegas-me a mão tocando a epiderme do meu sentir mas... há coisas que agora já não sei dizer. Ensinas-me!? Ainda guardo segredos de loucos instantes numa caixinha feita de palavras que não se dizem, apenas se escrevem com penas leves em mãos de ágil delicadeza! Palavras de tempos de outrora que correm em cascata de memórias como a água ao sabor da corrente!. Solta-se a saudade de ternos e eternos instantes vividos nas margens das águas azuis esverdeadas em que extasiados olhávamos o sol a apagar-se no horizonte... como os restos de nós!

AGORA... que me importa se os instantes perderam o encanto!? Descobri que a areia tem flores, as estrelas incendeiam caminhos de luz para o infinito azul escuro e que lua espalha as trevas da noite, o sol brinca no firmamento deixando escapar raios que fazem cócegas nos pés e iluminam os cabelos de cabeças sonhadoras! (terna)mente fico aqui... a meio do caminho... sem que alguém me leve da esquina do braço do rio!

Vamos?

quarta-feira, janeiro 04, 2006

(Particular)idades




Hoje secaram-se-me as palavras das lágrimas de emoção que vi no teu rosto. Sem idade, sem identidade ali estivemos suspensas ao espectáculo de seres marinhos em danças valsadas. No silêncio do barulho da multidão trocamos olhares desconhecidos que conheciam a mesma sensação de preenchimento da alma. Foste testemunha das imagens da minha emoção... também eu nunca havia estado tão perto do inacessível sonho por realizar! Olhaste-me na interrogação... quem sabe um dia ainda podemos mergulhar no azul manchado de golfinhos? Revejo o teu olhar...quase parecias uma criança de cabelos brancos tingidos pela magia daqueles instantes.



Já tarde... revejo-te de novo... arrastas o andar da idade mas transportas no coração momentos para reviver... devagarinho levas dali a tua alma preenchida de (particular)idades que inundaram o teu olhar!

segunda-feira, janeiro 02, 2006

...além do lado de cá!


A certeza é a dúvida constante que move o pensamento preso a desejos, quimeras, receios e outras muitas mais dúvidas. Andar em frente podia custar menos quando a decisão dos passos difíceis fossem dados por outros. Que não nós. É a isso que se chama responsabilidade ... o preço de crescer e ser alguém com maturidade. Isto nem sempre é fácil mas nem sempre é impossível. O impossível quantas vezes vive mais no imaginário do que na verdadeira vontade de o ultrapassar e vencer. Já pensaste nisto, heroina? Ouvir com atenção a voz do coração quando o eco da razão apenas faz o ruído da indefinição complica tudo... e tudo parece ficar negro cinza nas gotas transparentes que rolam no teu rosto de menina-mulher. Mas acredita no segredo que te conto baixinho... há algo escondido em ti que, por magia ou outra força qualquer, de um momento para o outro te mostra qual dos caminhos da encruzilhada seguir. Chamam-lhe esperança... será? Ou quem sabe insistência revelada na resiliência do teu ser? Os problemas, dificuldades e incertezas fazem parte deste percurso natural... assim é assustador, mas não o seria igualmente se a rotina se instalasse na eterna monotonia de um viver “sem preocupações”. A sensação de bem estar que move homens e mulheres em cada dia que começa tem muito a ver com a capacidade de mais um problema resolver, mais uma barreira transpor... para depois poder saborear, calmamente, cada vitória de pequenas guerras interiores.
Quando o pessimismo bate à porta há que primeiro ouvir o que se vai dizer com a voz do coração e soltar só depois os gritos surdos da razão... Assim, resta esperar e pensar que os grandes problemas de hoje podem ser as ninharias de amanhã... pontos de vista cómodos!!?... talvez!... mas ajudam a ver para além do lado de cá!

sexta-feira, dezembro 30, 2005





bOla

de

sabãO

terça-feira, dezembro 27, 2005

caminhada















Visto a bagagem de mais uma viagem onde levo a criança que fui e as que criei... as prendas que abri e embrulhei... o que acreditei e desconfiei... os amigos que perdi e ganhei... as pessoas que amo e amei... dias felizes outros nem assim... as memórias feitas do agora no ontem e desfeitas no amanhã... a interrogação do ponto final... as histórias que ficaram a meio e outras por contar... a riqueza que espreito nos Olhares de uns e de outros...a paz que desejo ver mas ainda não chegou... a esperança que quero ter... Entre barreiras humanas tocam-me os sons do nada do que fica por dizer nas palavras que se perdem na tradução por fazer... Caminho tocando o chão como se fosse céu... apenas queria tocar uma estrela mágica e mudar o que há para mudar... porque ainda é Natal!

domingo, dezembro 18, 2005

Serendipity man...



Tempo vai-te da dor enraizada na pele do meu sentir... exorcizo a mágoa pelos passos que o tempo ajuda a dar. Tempo que fica do que passou na passagem do horizonte do passado... penso no presente construindo o futuro de pequenos passados. Olho para trás encontro retalhos da manta que nos acolheu no aconchego do tempo ido sem tempo. Parei ... porque o desfrutei… recordo… ainda!
Cruzado com a árdua batalha travada nas limitações do que fui neste corpo descubro-me na consciência de querer viver... mais... muito! Vencedor deste duelo, ouço as cores dos sons da vida. Aninho-me na recordação, no sonho... de lado ficam os medos e os fantasmas que ocupam um espaço passado.Hoje... presente... sussurro para mim o que revelo aos outros... sou Serendipity man… Entre pequenas coisas encontro o brilho de valiosos tesouros que se cruzam com a simplicidade do acaso dos pequenos momentos, atitudes, gestos… Assim sou Rei de um reinado por redescobrir na atemporalidade. Aprisiono no tempo uma princesa encantada que se esgueira das grades do vermelho do meu coração. Agonizo… por instantes… avanço… pela eternidade do diálogo com a esperança. Então sou o herói deste filme… Serendipity man... que do tempo apenas procura, com tempo, um final feliz!



(Bem hajas, Nuno Pereira, pela história que ouvi sobre um Serenpity man...!)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

7.45

Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!

... aponta(mento)...

Ensinaram-me um dia que cada vez que se aponta um dedo a alguém... quatro dos nossos dedos ficam apontados para nós mesmos! Fica o aponta(mento)...

domingo, dezembro 04, 2005

Ainda não quero ser anjo


Hoje queria ser jardim, ter a cabeça na lua, abraçar as estrelas, fazer telepatia com as nuvens... e chegar aí! Queria ajudar a abrir cortinas feitas de grades e aprender como se escreve na liberdade do azul!Descobrir o que se tem para viver nos raios de sol que brilham mesmo quando o dia parece noite. Queria... ver como se agarra a vida com força e se deixa escapar a adversidade para longe!... Lavar-me nas lágrimas choradas duma vez só e fazer-me à vida reencontrando o prazer deste vício de viver.Quero continuar a ser testemunha de obras desenhadas com o lápis da razão do coração. Edificar momentos em solo firme, onde procuro a cor das minhas asas... porque... ainda não quero ser anjo!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Espero aqui...

Para trás ficaram rastos de sombras de identidades que se perderam no Fim dos Tempos... ou dos tempos sem fim! Divago pela contemplação de um infinito inventado em novos céus que cobrem uma terra diferente... onde o mar ainda é mar!

Por hoje, farei das areias a minha cama, do ar manso do mar e do céu estrelado tecerei uma manta de retalhos para cobrir o corpo do frio ... Assim, adormeço no delírio de sonhar em tons de esmeralda das águas-marinhas e em azuis das marés matizadas pela tempestade! Espero aqui...

... estacionados...


Já fomos sinaleiros da nossa vontade do dia-a-dia de outros dias. Fintámos sinais vermelhos da adversidade, orgulhosamente transpusemos os verdes pois os amarelos podiam ficar para depois! Corremos a auto-estrada da vida, contornando curvas e contracurvas, moderando a velocidade do rumo que quisemos traçar! Fomos donos de portagens e caminhos secundários! Caminhámos lado a lado de mãos dadas por passeios de avenidas e ruelas! Viajámos de carreira, carroças e automóveis mas sempre fiéis às nossas bicicletas! Rodámos quilómetros sem fim de casa para o trabalho e do trabalho para casa… entre a fábrica e o campo… Neste escritório do arado e enxada escrevemos na terra palavras de suor e dor, pelo pão-nosso de cada dia! Agora… olhamos para trás com saudade a leveza duma viagem de anos… e aqui ficamos estacionados com os olhos presos em recordações!

domingo, novembro 27, 2005

segunda-feira, novembro 21, 2005

Abraço o vazio


Abraço a magia de recordações em fotos amareladas de um jornal recente que o tempo não apaga. Restam imagens que permanecem latentes mas presentes em cada gesto do pensamento ausente. Sente-se a ausência perdida em outro além... entre magias com alguns truques.! Então... abraço o vazio... forte!

(insolita)mente

Tão perto de lugar nenhum solta-se a mente...vagueio!Percorro espaços e tempos em que me dispo de ti!Paira ainda o toque súbtil de pele na pele... só a mente me faz pensar em quantos cordões umbilicais terei de cortar!?

Mão que embala o berço...

... na impaciência de horas sem ouvir a tua voz remexo as roupas e encontro a tua mãozinha delicada e mimada. Assim ficamos entre imagens brilhantes das histórias recontadas em volta dos mistérios dos berços solares e lunares. Mão… que te embala o silêncio… acolhe… embala e alimenta com água láctea, perpetuando vínculos agarrados à árvore da vida.Mão… que te deixa apertar o medo e com outra mão cheia embala cantigas de estrelas levando daqui o vento incerto. Mão… que encolhe gestos de zanga e se esconde no regaço para evitar a palmada e com a outra mão embala berços de caracóis rebeldes e cabelos finos de seda.Mão que deixa escorregar os sonhos pela almofada e volta ao repouso… enfim!

(cumplic)idades


... riscam-se no olhar, gesto, toque, atitude... jamais se escrevem! Sentem-se... entre cúmplices em que pouco importam as palavras ou idade!