
sábado, janeiro 07, 2006
Rodopio

Apenas...

... para me lembrar de não me esquecer que ainda se recorda por aqui o cheirinho da loção de Mustela , depois a “Bien-Etre” que trocaste por um "Escada" carérrimo.Foi tão rápido o salto no tempo! Foste dos meus braços, aninhada em panos cor-de-rosa, correndo mundos infinitos de cores de trapos, percorrendo as texturas da vida! Gosto de te ver o rosa e o verde jasmim... porque sim! Aprecio o negro da capa que te abraça os ombros de caloira... porque assim constróis uma pequena parte do sonho do que vais ser quando fores grande!
sexta-feira, janeiro 06, 2006
(entre)tantos

… alguns são assim! Levam-nos em passeios de baú marcados por recordações de registos fotográficos… em viagens de limusinas de duas rodas que permitem relembrar outras realidades, detalhes, cores, texturas… outros dão-nos colo em conversas caladas estacionadas num banco de jardim… fazem-nos ver que as grades são meras divisórias transponíveis… ajudam a construir e atravessar pontes tornando caminhos mais curtos… navegam nos nossos problemas como fossem também suas essas águas turbulentas … mantêm-se firmes como postes que iluminam mesmo quando o sol já nasceu! Mas mesmo assim, quantas vezes se fica no crepúsculo, sem monotonia da falta de qualquer coisa…!? Só por isso acredito que digas que “Não há paixão, não há amor”… (entre) tantos também se pode sentir solidão e viver pensamentos contraditórios… não sei dizer que não te amo… mas já não sei como amar! Já sentiste isto? Volta-te para os tantos que entre muitos há … porque ninguém é uma ilha nem fortaleza! O mistério do verde do Outono está em acreditar que para alem do gelo branco do Inverno voltarão dias brilhantes cheios de cores quentes da Primavera! Enquanto existir uma réstia de humanidade o amor persistirá… Amar: verbo transito… implica interacção, logo… pede complemento directo!
Conversas entre nós… (entre) tantos de mãe e filha!
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Tempo de dizer adeus
Sem olhar para trás… subo degrau a degrau uma escada feita de nuvens. O corrimão da saudade segura a vertigem do vazio! Comigo levo o escuro da sombra do sol e das histórias que ficaram por contar… por viver!
(terna)mente

... olho o tempo que apagou os restos de nós. Pegas-me a mão tocando a epiderme do meu sentir mas... há coisas que agora já não sei dizer. Ensinas-me!? Ainda guardo segredos de loucos instantes numa caixinha feita de palavras que não se dizem, apenas se escrevem com penas leves em mãos de ágil delicadeza! Palavras de tempos de outrora que correm em cascata de memórias como a água ao sabor da corrente!. Solta-se a saudade de ternos e eternos instantes vividos nas margens das águas azuis esverdeadas em que extasiados olhávamos o sol a apagar-se no horizonte... como os restos de nós!
AGORA... que me importa se os instantes perderam o encanto!? Descobri que a areia tem flores, as estrelas incendeiam caminhos de luz para o infinito azul escuro e que lua espalha as trevas da noite, o sol brinca no firmamento deixando escapar raios que fazem cócegas nos pés e iluminam os cabelos de cabeças sonhadoras! (terna)mente fico aqui... a meio do caminho... sem que alguém me leve da esquina do braço do rio!
quarta-feira, janeiro 04, 2006
(Particular)idades

Hoje secaram-se-me as palavras das lágrimas de emoção que vi no teu rosto. Sem idade, sem identidade ali estivemos suspensas ao espectáculo de seres marinhos em danças valsadas. No silêncio do barulho da multidão trocamos olhares desconhecidos que conheciam a mesma sensação de preenchimento da alma. Foste testemunha das imagens da minha emoção... também eu nunca havia estado tão perto do inacessível sonho por realizar! Olhaste-me na interrogação... quem sabe um dia ainda podemos mergulhar no azul manchado de golfinhos? Revejo o teu olhar...quase parecias uma criança de cabelos brancos tingidos pela magia daqueles instantes.
Já tarde... revejo-te de novo... arrastas o andar da idade mas transportas no coração momentos para reviver... devagarinho levas dali a tua alma preenchida de (particular)idades que inundaram o teu olhar!
segunda-feira, janeiro 02, 2006
...além do lado de cá!

Quando o pessimismo bate à porta há que primeiro ouvir o que se vai dizer com a voz do coração e soltar só depois os gritos surdos da razão... Assim, resta esperar e pensar que os grandes problemas de hoje podem ser as ninharias de amanhã... pontos de vista cómodos!!?... talvez!... mas ajudam a ver para além do lado de cá!
sexta-feira, dezembro 30, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
caminhada

Visto a bagagem de mais uma viagem onde levo a criança que fui e as que criei... as prendas que abri e embrulhei... o que acreditei e desconfiei... os amigos que perdi e ganhei... as pessoas que amo e amei... dias felizes outros nem assim... as memórias feitas do agora no ontem e desfeitas no amanhã... a interrogação do ponto final... as histórias que ficaram a meio e outras por contar... a riqueza que espreito nos Olhares de uns e de outros...a paz que desejo ver mas ainda não chegou... a esperança que quero ter... Entre barreiras humanas tocam-me os sons do nada do que fica por dizer nas palavras que se perdem na tradução por fazer... Caminho tocando o chão como se fosse céu... apenas queria tocar uma estrela mágica e mudar o que há para mudar... porque ainda é Natal!
sexta-feira, dezembro 23, 2005
domingo, dezembro 18, 2005
Serendipity man...

Tempo vai-te da dor enraizada na pele do meu sentir... exorcizo a mágoa pelos passos que o tempo ajuda a dar. Tempo que fica do que passou na passagem do horizonte do passado... penso no presente construindo o futuro de pequenos passados. Olho para trás encontro retalhos da manta que nos acolheu no aconchego do tempo ido sem tempo. Parei ... porque o desfrutei… recordo… ainda!
Cruzado com a árdua batalha travada nas limitações do que fui neste corpo descubro-me na consciência de querer viver... mais... muito! Vencedor deste duelo, ouço as cores dos sons da vida. Aninho-me na recordação, no sonho... de lado ficam os medos e os fantasmas que ocupam um espaço passado.Hoje... presente... sussurro para mim o que revelo aos outros... sou Serendipity man… Entre pequenas coisas encontro o brilho de valiosos tesouros que se cruzam com a simplicidade do acaso dos pequenos momentos, atitudes, gestos… Assim sou Rei de um reinado por redescobrir na atemporalidade. Aprisiono no tempo uma princesa encantada que se esgueira das grades do vermelho do meu coração. Agonizo… por instantes… avanço… pela eternidade do diálogo com a esperança. Então sou o herói deste filme… Serendipity man... que do tempo apenas procura, com tempo, um final feliz!
segunda-feira, dezembro 05, 2005
7.45
Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!
... aponta(mento)...
domingo, dezembro 04, 2005
Ainda não quero ser anjo

Hoje queria ser jardim, ter a cabeça na lua, abraçar as estrelas, fazer telepatia com as nuvens... e chegar aí! Queria ajudar a abrir cortinas feitas de grades e aprender como se escreve na liberdade do azul!Descobrir o que se tem para viver nos raios de sol que brilham mesmo quando o dia parece noite. Queria... ver como se agarra a vida com força e se deixa escapar a adversidade para longe!... Lavar-me nas lágrimas choradas duma vez só e fazer-me à vida reencontrando o prazer deste vício de viver.Quero continuar a ser testemunha de obras desenhadas com o lápis da razão do coração. Edificar momentos em solo firme, onde procuro a cor das minhas asas... porque... ainda não quero ser anjo!
segunda-feira, novembro 28, 2005
Espero aqui...
Para trás ficaram rastos de sombras de identidades que se perderam no Fim dos Tempos... ou dos tempos sem fim! Divago pela contemplação de um infinito inventado em novos céus que cobrem uma terra diferente... onde o mar ainda é mar!Por hoje, farei das areias a minha cama, do ar manso do mar e do céu estrelado tecerei uma manta de retalhos para cobrir o corpo do frio ... Assim, adormeço no delírio de sonhar em tons de esmeralda das águas-marinhas e em azuis das marés matizadas pela tempestade! Espero aqui...
... estacionados...

Já fomos sinaleiros da nossa vontade do dia-a-dia de outros dias. Fintámos sinais vermelhos da adversidade, orgulhosamente transpusemos os verdes pois os amarelos podiam ficar para depois! Corremos a auto-estrada da vida, contornando curvas e contracurvas, moderando a velocidade do rumo que quisemos traçar! Fomos donos de portagens e caminhos secundários! Caminhámos lado a lado de mãos dadas por passeios de avenidas e ruelas! Viajámos de carreira, carroças e automóveis mas sempre fiéis às nossas bicicletas! Rodámos quilómetros sem fim de casa para o trabalho e do trabalho para casa… entre a fábrica e o campo… Neste escritório do arado e enxada escrevemos na terra palavras de suor e dor, pelo pão-nosso de cada dia! Agora… olhamos para trás com saudade a leveza duma viagem de anos… e aqui ficamos estacionados com os olhos presos em recordações!










