quinta-feira, maio 19, 2011

Certo e errado

A raridade não está naquele momento em que julgamos encontrar a pessoa certa; é sim, passado tanto tempo, aquela ainda ser a pessoa certa. Até que o tempo desista de si próprio.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, maio 17, 2011

passeio das estrelas


... as coisas que se inventam quando dizer não chega... :)

hoje pintaram a cidade com as cores do teu nome



... quando dizer não chega... há quem escreva assim!  :)*

quinta-feira, abril 28, 2011

cavalo madrugador




Agrupamento 109

espelhos e existências




…por vezes, ou na maior parte delas, nem nós sabemos quem somos…

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mezinhas de mal-de-idade



Transpirava-se-me o cansaço das lides domésticas. Respiro fundo para recuperar as forças e seguir com mais umas quantas sacudidelas dos tapetes pesados de lã. Entre os movimentos próprios do zelo de uma dona de casa … quase esmerada… (tem dias!)… dou com os olhos numa mancha esbranquiçada no soalho de madeira. “Mau… queres ver que o jovem de meia-idade andou por aqui a espalhar a massa cremosa e milagrosa anti-idade?”
Meto a mão na massa… literalmente. Apertei forte e friccionei entre os dedos o “creme branco”, que afinal também tinha uns quantos verdes à mistura. Manhas e artimanhas levam-me a procurar alternativas para perceber o que nem sempre vejo. Puxo pela criatividade da coisa e tento o aroma … em vão. Não funcionou. Enquanto ia matutando para descobrir qual teria sido a mistela usada pelo “jovem”, continuei a apertar a pasta afincada e demoradamente entre o indicador e o polegar. A sensação passou a quase ácida pois o unto pastoso parecia agora corroer-me a pele. Afinei o olhar e encontrei mais um risco diagonal branco numa das gavetas da cómoda. A agonia do vómito apoderou-se do momento…
Faz tempo que as andorinhas chegaram. Entram pela casa dentro desnorteadas e largam as famigeradas cagadelas que ficam num registo tipo miscelânea cremosa cuja assinatura é anónima e que julguei ser mezinhas de mal-de-idade.

terça-feira, abril 26, 2011

daqui para lado nenhum … longe é a lua…






Quantas vezes o abandono tomava conta da situação. Ali juntos juntávamos monólogos que no fim do dia gostaria de somar ao diálogo de amantes de outras épocas. Há gestos que não se dizem, depreendem-se na expressão do movimento. As dúvidas preenchem-me as descobertas dos últimos tempos.
Olho-te na miragem que construí nesta forma de estar que imaginei perfeita. Sinto-te distante, metida nos teus pensamentos, nas viagens a lugares que desconheço e que agora fazes sem mim.
Sempre me julguei um homem sensato, cuja dose de liberalismo me permitiu ver-te como a mulher que se movimenta por entre outros mundos com garra e determinação… mas com dedicação ao lar e aos filhos. Engano meu! Observo o teu gesto na escolha de cada peça de vestuário, o cair de cada mecha, o traço forte do eye liner sobre a sombra dos olhos, o bâton que agora é carmim escuro… fica a fragrância espalhada da marca que já não sei qual é…
Pareço um quase desempregado com a vida em recessão afectiva. Uma referência à questão económica da logística doméstica… assim nos resumimos: a consulta da filha, os livros do filho e tantas outras contas infindáveis da casa…
Avalio os indícios da traição quando o horror é a realidade… mesmo quando não digo sente-se que não estás aqui. Já não se me soltam as lágrimas, não porque tenha assumido a máxima de que “um homem nunca chora”… sequei …. apenas!
Mantenho os sensores sempre alerta sobre os conhecidos clichés do desvio… o toque de telemóvel… sms atrás de sms… o teu riso disfarçado entre a mentira que se solta fácil… “ é a…X…” duma chamada feita à socapa e desligada nervosamente, o email que se apaga mas deixa nos lábios um sorriso que julguei ser só meu.
Aproxima.se o Dia da Mãe. Sem perfume julgo que quase merecias  um bilhete de ida para fora de nós.
Talvez mais importante do que lamentar o fracasso em termos públicos é poder pensar que em breve vais deixar de dizer para ti mesma, quando me fixas fugazmente o olhar - “espera aí um bocadinho enquanto eu brinco aos namorados…”
Talvez depois esteja um tanto diluído no roteiro da vida que vou (re)descobrindo: perdoa-se (quem sabe um dia…) mas não se esquece a marca que estas coisas deixam.
Estou cansado … ainda por aqui mantenho o rumo  daqui para lado nenhum … longe é a lua…




(histórias que ouço... no masculino)

terça-feira, abril 19, 2011

leituras e outros lugares


;)

Cada vez mais sei menos lidar com situações em que não conheço as pessoas. Dou comigo a dizer meia dúzia de larachas ficando-me quase sempre a certeza de a impressão que deixo terá muito a ver com uma opinião, já não sei de quem e assim do tipo… "és muito distante numa primeira abordagem". Com certeza que devo deixar por aí esta sensação de pessoa meio fria meio antipática do tipo bicho-do-mato distraído… defesas, meu bem… defesas. Sei lá bem de quê ou de quem… formas de reagir ou deformações do interagir?!
Lá avancei em direcção à mesa onde o grupo estava debaixo do luar tímido. O ambiente é de matar saudades que logo no dia seguinte iriam renascer nas partidas longas de chegadas breves. Troquei meia dúzia de palavras com os presentes. Abracei as princesas como se aquele momento pudesse ficar para os próximos tempos. Tão lindas… tão crescidas… Senti o meu olhar a enturvar-se no reflexo do que olhavas… ai estas Marias lamechas!!! Distâncias e saudades ajudam a fortalecer o nó da amizade … mas vão sempre custar a suportar.
Ouço a voz do anfitrião dizer… “… a … é amiga da … é da família… faz parte da família…” Nunca serei capaz de descrever o que esta frase ocasionou cá dentro. Esta ideia de pertença a este lugar diz tudo!


quinta-feira, abril 07, 2011

... aos quadradinhos...



... há histórias assim!

quarta-feira, abril 06, 2011

... sem planos...




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Hoje estou sem planos para me apoderar do mundo... fico entre posts perdidos e rascunhos atrasados!
…o dia corre e isso já é muito bom…

sexta-feira, abril 01, 2011

... receitas.


Pousou a romã sobre a mesa, limpou as mãos ao avental e sacudiu a farinha da manga da camisola. Ao mesmo tempo, com o movimento rápido da cabeça, empurrou para trás os caracóis que pendiam sobre a testa e cobriam o olhar com a mexa loura esbranquiçada. A panela preta de ferro estalava de dor do quente das labaredas. Como o crepitar do lume a fazia ficar ali e ao mesmo tempo voar para a distância da memória… Fechou os olhos e caiu no nocturno íntimo do lusco-fusco da sua interioridade. Há muito que não pegava naquele caderno amarelado do tempo onde escrevia as receitas mais significativas da sua vida: diário de comeres e sabo[e]res… Este reflecte o efeito prático do que fazia e das coisas que lhe  passavam pela cabeça. Relê fórmulas mirabolantes como atum em bisnaga, … vidas registadas num almanaque de coisas menores. Passou a mão endurecida pelo sol na rugosidade saliente do papel. Reencontrou as manchas de umas quantas lágrimas teimosas que caíram e tornaram o pão desse dia ainda mais salgado.
- Então Rosinha? … - Perguntei meio a medo de ouvir uma confissão.
- … é da cebola … a cebola… ai os tempos menina… os tempos… - suspirando ruidosamente uma fungadela que se lhe solta do fundo da aflição de não saber disfarçar.
Os tempos repetem-se hoje sem preâmbulos nem expectativas em que o pão-nosso-de-cada-dia sabe ao pão-que-o-diabo-amassou.

terça-feira, março 29, 2011

... um pouco mais para ali!



O mundo quase me caiu em cima. Ironias, pois diz-se por aqui que os espíritos andam em paz e que tudo é diferente.
Há quartos secretos, passagens escondidas, paredes falsas e temos por hábito a terrível ideia de nos pendurarmos de cabeça para baixo. Outros esconderão a cabeça num buraco de areia.
De volta à mesa redonda do canto da sala, ajeito o corpo nas almofadas que me amolecem a vontade. Beberico em pequenos golos o chá quente que fumega desenhos que se desfazem no ar misturados com o fumo do teu cigarro. Demoro lentamente este momento em que palavra-puxa-palavra acabamos a “calhandrar” a vida dos outros, sem fazer mal a ninguém. Segredos ingénuos, sem malícia gravam-se nas paredes sólidas da sala de estar a que chamo sala de ficar por ali. Porque o tempo convida a ficar!
Observo os teus gestos preguiçosos num jogo de empurra das migalhas do pão-de-ló, ora ordenadas em carreirinhos ora dispostas à mercê de um cheque-mate.

Sobressaltas-me no desafio “Vá…diz o que estavas a pensar…”

O toque acusou-se a energia da trémula inércia … En gard… touché… quão valente este golpe de esgrima de palavras misturadas nos sentimentos que não se sabem. 
A pele da face arde-me do calor rosado da marca do que penso. Se dissesse o que penso com tudo o que sei… esvaziava-me!
Aninho-me como que num exercício de sobrevivência tentando que o mundo caia… um pouco mais para ali!

quarta-feira, março 23, 2011

conversas com os meus botões

o papão vive no 5º andar lá para os lados das águas furtadas da área pensante. deve mesmo ser perto da cabeça pois a tendência é para quando algo corre menos bem os cabelos ficam em pé e há gotas de desalento que teimam escorrer a par de umas quantas lágrimas teimosas. o papão é um glutão que come energias e desgasta forças. tem a mania de deixar as pernas a tremer o que nos faz tropeçar mesmo quando não está escuro. faz roer as unhas e activa o voo das borboletas na barriga. o papão tira-nos do sério e deixa marcas de fúria de não o querer por cá. o papão faz imaginar o desconhecido como um ajuntamento de papões. este malvado papão tira a cor e consome as outras do arco-íris. é assim porque fica tudo preto acinzentado. o papão faz-nos soltar a tampa irreal do alçapão e mergulhar no imaginário que só a fantasia consente pensar que o medo é só mais um faz-de-conta.o papão faz rodopiar, desistir, evitar, temer o que não se conhece e onde vivem todas as possibilidade de assustar os meninos e meninas…


                                                                                                             ... de todas as idades!...

quarta-feira, maio 26, 2010

what is home?



A necessidade de uma casa em  terra firme ainda é vital. Contudo, agora encontramos-la na dimensão do movimento... a jornada torna-se um destino!
A mobilidade faz perder o sentido único do lugar e o processo ajuda a construir outros significados.
A "nossa casa" ganha significação numa estrutura quase invisível escondida dentro de cada um. Assemelha-se a uma colecção de memórias, projectos, intenções, valores, princípios e prioridades que guardamos dentro de nós.



(Para ti... )

quinta-feira, março 04, 2010

rain

Yesterday it was really  raining very hard. 



So,  I asked the man to write some rain poems in his journal.  

This is the result!!


 

I still am so impressed with how the whole world took to writing poetry this year.