quarta-feira, setembro 28, 2005

Um dia fui o que sou


Sem bálsamo nem incenso sente-se o cheiro do couto de vela agarrado ao prato velho de barro... arde-me a cara nesta réstia de luz. Ilumino o frágil virar de mais uma folha de vida. Página a página passo folhas encarquilhadas pela humidade amarela de tempos em que o tempo não contou. Toco o livro do que fui nas páginas por escrever do que sou. Sinto o indolor e incolor dos retalhos do meu seu ser... doem-me as marcas vincadas na pele da alma. Quem me dera voltar a ser menina do sertão e soltar ao ar tudo o fui e agarrar o que me resta ser no sorriso que ainda sou capaz de esboçar!

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