segunda-feira, fevereiro 13, 2006

(paralela)mente



Demarco na mente limites da dimensão paralela atemporal do real enviesado. Esboroam-se desvaneios das linhas que escrevo em fantasias oblíquas. Narrativas viradas do avesso com o que me veio à mente!
Não falo... fico... não estou... sou... uma linha recta curva paralela à mente!

sábado, fevereiro 11, 2006


Conversas em redor de relatos de episódios passados, com repercussões no presente e no futuro... desembocam na expressão: ao longo da vida!
Fica-me a bailar a questão: “Quer dizer na largura ou no comprimento da vida?!...” Meti-me em conversas com os meus botões a pensar em larguras e comprimentos... da vida! Medidas de vida... sem balança, fita métrica, fio de prumo, nível ou medidas de capacidade... pouco concluí sobre a dimensão da verticalidade e horizontalidade da vida!

Vivo ... apenas!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

tesouros escondidos



Erguemos castelos de areia que tocam os palácios das nuvens onde vivem fadas e duendes vestidos de azul celeste marinho. Brinca comigo neste passeio da idade... serei marinheiro sem fragata e tu sereia rainha da areia.
Mil descobertas faremos de tesouros escondidos em baús com pérolas, rubis e safiras... que em segredo fingimos serem apenas grãos de areia!

Quantas conchas e estrelas do mar precisamos para construir estradas de madrepérola para o sonho continuar a caminhar?...

sábado, fevereiro 04, 2006

(temporal)idades





Não sei se te disse mas perdi o tempo. Não foi tempo perdido mas a evasão temporal que se apoderou de mim. Perdi-me na contemplação da fotografia das últimas palavras. Não te disse adeus porque não sei como se diz. Fico sentado com os olhos pregados em mim no que fomos e jamais seremos. Sem saudade porque sei que existes. Sem despedidas porque o comboio que parte volta na viagem seguinte. Parto com o aroma dos teus cabelos presos no laçarote da minha memória. Fica-me no tempo o sabor a café do beijo trocado na falta de tempo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

p/b






Misturámos os nossos preto e branco e pintámos um palhaço de nariz cor de igualdade. O fato ficou às riscas entre cores de amizade e o esbatido da saudade. De chapeuzinho cor de esperança e laçarote apertado ao pescoço traçámos nos lábios sorrisos de felicidade.
Demos de novo as mãos... sujas de tintas diferentes... voltámos à tela para desenhar um mundo cheio de todas as cores onde os nossos preto e branco não se notam nem se sentem!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

debandada



pedaços de nada...


... agarro memórias presas numa mão cheia de nada e outra com coisa nenhuma... para preencher de tudo!

sábado, janeiro 28, 2006


Soltam-se ... sem controlo... escorregam... sem ordem..... evadem-se... sem prisão...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

... na volta do sossego...






O tamanho das aflições dos outros é a medida das nossas capacidades!

SerendipityMan

terça-feira, janeiro 24, 2006

sapatinhos de cristal


Já não sei! Perdi-me na rota do passado. Queria sair da baía e deixar na doca pensamentos salpicados de sal do mar tempestuoso. Suspensa em mim parei o andar sem saber por onde seguir. Aguardei por um sinal tentando que os meus medos não se tornassem maiores que a nuvem negra que se aproximava. Agarrei com força a corda da âncora que não deixava o barco sair dali... com ele permaneci como a mão do enfermo se agarra à vida! Os marinheiros e as gaivotas tinham seguido para terra firme .. apenas o avermelhado sumido do farol dá sinal de que a vida ainda pode andar por aí... Por aqui? Ou por acolá?... fiquei por ali até que uma mão me indicasse o caminho!

Devagarinho o vento levou a tempestade dali... passou um velho lobo do mar que me deu a mão calejada do leme da embarcação.!
Passou-me a sua capa azul de textura dura e então amoleci na esperança da tranquilidade de um porto seguro... No alpendre da cabana observei o lobo do mar ... De barbas brancas e tez queimada em que cada ruga tem ondas de mil histórias de mar! Ali parado parecia enorme! Olhando o horizonte misturava o cheiro do cachimbo com o fumo do café! Aconchegou nos lábios os raios mornos do sol matinal e ainda disse “Já passou!” .... com as suas meias gastas senti-me uma sereia vestida de lantejoulas e sapatinhos de cristal!

domingo, janeiro 22, 2006

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Manta de Retalhos




Não me esqueci... apenas não me lembrei de regressar do labirinto do silêncio dos passos da caminhada. Ignorei o tempo correr pelas badaladas do pêndulo parado... caminho!
Fazes-me ... refaço-me nos pedaços que ficam do puzzle construído de mim para ti no vice versa de nós. Revejo-me em cada peça que colocas neste patchwork. Conheço cada retalho da manta de vida que nos envolve... aquece! Vou... cruzando a encruzilhada do caminho em passadas que levam do passado presente o que esqueci de mim lá fora...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

... desliza-se no sonho!



A sede vem da viagem de caminhar sobre garatujas enoveladas em esculturas da terra por modelar. As peças mais intimas deste lugar... recorda-me! Preciso verificar cronologias... por acontecer! Por uma questão de tolerância em meada e de coerência em novelo não chamo os sentimentos pelos nomes.

Vou... sobrevoo outros lugares onde se desnudam as dunas sobre o olhar do mar. Perco-me no trilho vertiginoso de afectos arrastando o tender e fundo-me na paisagem. Abre-se, rasga-se e alonga-se até perder de vista a via-láctea de momentos que no brilho das constelações idealizam outros instantes.

Daqui não há que fugir... desliza-se no sonho!

sábado, janeiro 14, 2006

Saída




Improviso uma saída... O túnel é apenas um caminho que se fecha atrás de mim… trilho em que o sol nasce e morre num horizonte em que não sei se há regresso! Vou caminhando pela estrada que ruma entre o tudo e o nada… na ilusão terrena de não ter chegado ao fim. Desta viagem fica um caleidoscópio de cores esbatidas em que os sons suaves de outrora se tornaram pequenos sussurros… Parto no reencontro da minha réstia de luz interior… não perdi… suspendi o impossível!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Do lado de cá...




... imagino as histórias do lado de lá!


(Piodão 2004)

Herança do tempo





Conheces aquelas casas de chão de madeira, de tábuas largas com fendas nas quais se deixam cair para baixo do soalho um alfinete... uma moeda... um botão... um berlinde... um sonho... um desejo... e outras mil coisas que ficam lá escondidas na escuridão?A vida é um pouco como o fundo do soalho, com mil pequenas alegrias e surpresas que vão caindo nas gretas do tempo e se esquecendo no fundo da vida. Isto porque a esperança, a beleza podem diluir-se com a adversidade: a pobreza... vivências negativas... violência... negligência... desamor… entre outras coisas, deixam esquecer mil tesouros que se vão perdendo no tempo. São estas jóias esquecidas que quantas vezes se tentam redescobrir, lado a lado, ultrapassando fantasmas, partilhando tesouros em castelos de sonhos quase reais… umas vezes caminhando de mãos dadas… outras de braços caídos!


(Inspirado num texto que li há muito tempo… não sei o título!) Santarém 2004

domingo, janeiro 08, 2006

(advers)idades




De costas viradas para o mundo... abalam-se as crenças que cresceram no colo quente materno. De costas voltadas para a vida... secam-se as lágrimas das raízes de memórias vindas do calor das palavras paternas.
O vazio do sofrimento não tem balança nem fita métrica que o possa medir... cada um por si fica na sensação da perda! Fica a impressão de que a cidade movimentada ficou sem pessoas, o mar perdeu os peixes e as gaivotas voaram para longe. Só... resta a certeza de que nunca ninguém nos ensina a dizer adeus... e assim se pára, abruptamente, de chamar por alguém que sempre se manteve por perto do coração, lembrando que na vida terminou apenas mais uma etapa das (advers)idades da partida!