domingo, dezembro 18, 2005

Serendipity man...



Tempo vai-te da dor enraizada na pele do meu sentir... exorcizo a mágoa pelos passos que o tempo ajuda a dar. Tempo que fica do que passou na passagem do horizonte do passado... penso no presente construindo o futuro de pequenos passados. Olho para trás encontro retalhos da manta que nos acolheu no aconchego do tempo ido sem tempo. Parei ... porque o desfrutei… recordo… ainda!
Cruzado com a árdua batalha travada nas limitações do que fui neste corpo descubro-me na consciência de querer viver... mais... muito! Vencedor deste duelo, ouço as cores dos sons da vida. Aninho-me na recordação, no sonho... de lado ficam os medos e os fantasmas que ocupam um espaço passado.Hoje... presente... sussurro para mim o que revelo aos outros... sou Serendipity man… Entre pequenas coisas encontro o brilho de valiosos tesouros que se cruzam com a simplicidade do acaso dos pequenos momentos, atitudes, gestos… Assim sou Rei de um reinado por redescobrir na atemporalidade. Aprisiono no tempo uma princesa encantada que se esgueira das grades do vermelho do meu coração. Agonizo… por instantes… avanço… pela eternidade do diálogo com a esperança. Então sou o herói deste filme… Serendipity man... que do tempo apenas procura, com tempo, um final feliz!



(Bem hajas, Nuno Pereira, pela história que ouvi sobre um Serenpity man...!)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

7.45

Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!

... aponta(mento)...

Ensinaram-me um dia que cada vez que se aponta um dedo a alguém... quatro dos nossos dedos ficam apontados para nós mesmos! Fica o aponta(mento)...

domingo, dezembro 04, 2005

Ainda não quero ser anjo


Hoje queria ser jardim, ter a cabeça na lua, abraçar as estrelas, fazer telepatia com as nuvens... e chegar aí! Queria ajudar a abrir cortinas feitas de grades e aprender como se escreve na liberdade do azul!Descobrir o que se tem para viver nos raios de sol que brilham mesmo quando o dia parece noite. Queria... ver como se agarra a vida com força e se deixa escapar a adversidade para longe!... Lavar-me nas lágrimas choradas duma vez só e fazer-me à vida reencontrando o prazer deste vício de viver.Quero continuar a ser testemunha de obras desenhadas com o lápis da razão do coração. Edificar momentos em solo firme, onde procuro a cor das minhas asas... porque... ainda não quero ser anjo!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Espero aqui...

Para trás ficaram rastos de sombras de identidades que se perderam no Fim dos Tempos... ou dos tempos sem fim! Divago pela contemplação de um infinito inventado em novos céus que cobrem uma terra diferente... onde o mar ainda é mar!

Por hoje, farei das areias a minha cama, do ar manso do mar e do céu estrelado tecerei uma manta de retalhos para cobrir o corpo do frio ... Assim, adormeço no delírio de sonhar em tons de esmeralda das águas-marinhas e em azuis das marés matizadas pela tempestade! Espero aqui...

... estacionados...


Já fomos sinaleiros da nossa vontade do dia-a-dia de outros dias. Fintámos sinais vermelhos da adversidade, orgulhosamente transpusemos os verdes pois os amarelos podiam ficar para depois! Corremos a auto-estrada da vida, contornando curvas e contracurvas, moderando a velocidade do rumo que quisemos traçar! Fomos donos de portagens e caminhos secundários! Caminhámos lado a lado de mãos dadas por passeios de avenidas e ruelas! Viajámos de carreira, carroças e automóveis mas sempre fiéis às nossas bicicletas! Rodámos quilómetros sem fim de casa para o trabalho e do trabalho para casa… entre a fábrica e o campo… Neste escritório do arado e enxada escrevemos na terra palavras de suor e dor, pelo pão-nosso de cada dia! Agora… olhamos para trás com saudade a leveza duma viagem de anos… e aqui ficamos estacionados com os olhos presos em recordações!

domingo, novembro 27, 2005

segunda-feira, novembro 21, 2005

Abraço o vazio


Abraço a magia de recordações em fotos amareladas de um jornal recente que o tempo não apaga. Restam imagens que permanecem latentes mas presentes em cada gesto do pensamento ausente. Sente-se a ausência perdida em outro além... entre magias com alguns truques.! Então... abraço o vazio... forte!

(insolita)mente

Tão perto de lugar nenhum solta-se a mente...vagueio!Percorro espaços e tempos em que me dispo de ti!Paira ainda o toque súbtil de pele na pele... só a mente me faz pensar em quantos cordões umbilicais terei de cortar!?

Mão que embala o berço...

... na impaciência de horas sem ouvir a tua voz remexo as roupas e encontro a tua mãozinha delicada e mimada. Assim ficamos entre imagens brilhantes das histórias recontadas em volta dos mistérios dos berços solares e lunares. Mão… que te embala o silêncio… acolhe… embala e alimenta com água láctea, perpetuando vínculos agarrados à árvore da vida.Mão… que te deixa apertar o medo e com outra mão cheia embala cantigas de estrelas levando daqui o vento incerto. Mão… que encolhe gestos de zanga e se esconde no regaço para evitar a palmada e com a outra mão embala berços de caracóis rebeldes e cabelos finos de seda.Mão que deixa escorregar os sonhos pela almofada e volta ao repouso… enfim!

(cumplic)idades


... riscam-se no olhar, gesto, toque, atitude... jamais se escrevem! Sentem-se... entre cúmplices em que pouco importam as palavras ou idade!

quarta-feira, outubro 26, 2005


Escuta-se o silêncio depois de mais um dia. Assim vou mudo na música dos pés que pisam o fresco da areia moldada pelas tuas pegadas.
Sigo-me.. deixo-te... apresso-me... alcançarei outras metas por outros caminhos. Quem sabe até pelos mesmos trilhos?
Já não deixo que o meu querer se abale e os meus passos enfraqueçam o pensamento. Mantenho o infinito desejo de continuar pelos caminhos serenos em que a mente submerge. Sigo o dia depois do dia. Sou nómada da noite. Inquieta-me o sedentário das mensagens que não sou capaz de fazer viajar. Afasto fantasmas e lobos maus que ensombram as histórias de fadas e príncipes. Acredito em castelos de areia pintados no céu. Entre passos irrequietos adormeço o olhar no que não quero ver e descortino a beleza de imagens que a rebelião interior me faz olhar. Tenho flores à flor da pele e maçãs no rosto cor de carmim dos lábios que beijei.Para trás fiquei ... irreverente a recordar o abraço que me abraça e me veste a alma de branco. Quantas caricias fizeram de mim um pescador de sonhos sem cana nem anzol !?

domingo, outubro 23, 2005

... lado a lado!


Relatos rasgados no areal levam-nos dali! Naquele além das palavras que me ouves ficas aquém do te digo. Voo em discursos de sal salpicados dos tons dos retalhos das minhas aventuras, ilusões e agonias. Caminhas entre as palavras que articulo e o som articulado das ondas que caem na areia. Metade escutas, outra metade ouves... lado a lado!

sábado, outubro 01, 2005

Acreditar


Quando eu for grande... vou voar para dentro do sentido do valor de outras pequenas coisas. Sentir que há cortinas que se abrem em sorrisos sob olhares brilhantes. Voltar a ver que o descompasso do bater do coração é apenas da emoção.

Por agora quero continuar criança, manter-me na protecção da posição fetal de mão dada com o cordão umbilical...

Quero pensar que o sol brilha sobre flores lançadas ao mar... porque o dia é de festa. Ver nos teus olhos que ainda posso acreditar que há razões para acreditar!

quarta-feira, setembro 28, 2005

(in)color

Um dia fui o que sou


Sem bálsamo nem incenso sente-se o cheiro do couto de vela agarrado ao prato velho de barro... arde-me a cara nesta réstia de luz. Ilumino o frágil virar de mais uma folha de vida. Página a página passo folhas encarquilhadas pela humidade amarela de tempos em que o tempo não contou. Toco o livro do que fui nas páginas por escrever do que sou. Sinto o indolor e incolor dos retalhos do meu seu ser... doem-me as marcas vincadas na pele da alma. Quem me dera voltar a ser menina do sertão e soltar ao ar tudo o fui e agarrar o que me resta ser no sorriso que ainda sou capaz de esboçar!