Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!
segunda-feira, dezembro 05, 2005
7.45
Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!
... aponta(mento)...
domingo, dezembro 04, 2005
Ainda não quero ser anjo

Hoje queria ser jardim, ter a cabeça na lua, abraçar as estrelas, fazer telepatia com as nuvens... e chegar aí! Queria ajudar a abrir cortinas feitas de grades e aprender como se escreve na liberdade do azul!Descobrir o que se tem para viver nos raios de sol que brilham mesmo quando o dia parece noite. Queria... ver como se agarra a vida com força e se deixa escapar a adversidade para longe!... Lavar-me nas lágrimas choradas duma vez só e fazer-me à vida reencontrando o prazer deste vício de viver.Quero continuar a ser testemunha de obras desenhadas com o lápis da razão do coração. Edificar momentos em solo firme, onde procuro a cor das minhas asas... porque... ainda não quero ser anjo!
segunda-feira, novembro 28, 2005
Espero aqui...
Para trás ficaram rastos de sombras de identidades que se perderam no Fim dos Tempos... ou dos tempos sem fim! Divago pela contemplação de um infinito inventado em novos céus que cobrem uma terra diferente... onde o mar ainda é mar!Por hoje, farei das areias a minha cama, do ar manso do mar e do céu estrelado tecerei uma manta de retalhos para cobrir o corpo do frio ... Assim, adormeço no delírio de sonhar em tons de esmeralda das águas-marinhas e em azuis das marés matizadas pela tempestade! Espero aqui...
... estacionados...

Já fomos sinaleiros da nossa vontade do dia-a-dia de outros dias. Fintámos sinais vermelhos da adversidade, orgulhosamente transpusemos os verdes pois os amarelos podiam ficar para depois! Corremos a auto-estrada da vida, contornando curvas e contracurvas, moderando a velocidade do rumo que quisemos traçar! Fomos donos de portagens e caminhos secundários! Caminhámos lado a lado de mãos dadas por passeios de avenidas e ruelas! Viajámos de carreira, carroças e automóveis mas sempre fiéis às nossas bicicletas! Rodámos quilómetros sem fim de casa para o trabalho e do trabalho para casa… entre a fábrica e o campo… Neste escritório do arado e enxada escrevemos na terra palavras de suor e dor, pelo pão-nosso de cada dia! Agora… olhamos para trás com saudade a leveza duma viagem de anos… e aqui ficamos estacionados com os olhos presos em recordações!
domingo, novembro 27, 2005
segunda-feira, novembro 21, 2005
Abraço o vazio
(insolita)mente
Mão que embala o berço...
... na impaciência de horas sem ouvir a tua voz remexo as roupas e encontro a tua mãozinha delicada e mimada. Assim ficamos entre imagens brilhantes das histórias recontadas em volta dos mistérios dos berços solares e lunares. Mão… que te embala o silêncio… acolhe… embala e alimenta com água láctea, perpetuando vínculos agarrados à árvore da vida.Mão… que te deixa apertar o medo e com outra mão cheia embala cantigas de estrelas levando daqui o vento incerto. Mão… que encolhe gestos de zanga e se esconde no regaço para evitar a palmada e com a outra mão embala berços de caracóis rebeldes e cabelos finos de seda.Mão que deixa escorregar os sonhos pela almofada e volta ao repouso… enfim!
(cumplic)idades
quarta-feira, outubro 26, 2005

Escuta-se o silêncio depois de mais um dia. Assim vou mudo na música dos pés que pisam o fresco da areia moldada pelas tuas pegadas.
Sigo-me.. deixo-te... apresso-me... alcançarei outras metas por outros caminhos. Quem sabe até pelos mesmos trilhos?
Já não deixo que o meu querer se abale e os meus passos enfraqueçam o pensamento. Mantenho o infinito desejo de continuar pelos caminhos serenos em que a mente submerge. Sigo o dia depois do dia. Sou nómada da noite. Inquieta-me o sedentário das mensagens que não sou capaz de fazer viajar. Afasto fantasmas e lobos maus que ensombram as histórias de fadas e príncipes. Acredito em castelos de areia pintados no céu. Entre passos irrequietos adormeço o olhar no que não quero ver e descortino a beleza de imagens que a rebelião interior me faz olhar. Tenho flores à flor da pele e maçãs no rosto cor de carmim dos lábios que beijei.Para trás fiquei ... irreverente a recordar o abraço que me abraça e me veste a alma de branco. Quantas caricias fizeram de mim um pescador de sonhos sem cana nem anzol !?
domingo, outubro 23, 2005
... lado a lado!

Relatos rasgados no areal levam-nos dali! Naquele além das palavras que me ouves ficas aquém do te digo. Voo em discursos de sal salpicados dos tons dos retalhos das minhas aventuras, ilusões e agonias. Caminhas entre as palavras que articulo e o som articulado das ondas que caem na areia. Metade escutas, outra metade ouves... lado a lado!
sábado, outubro 01, 2005
Acreditar

Quando eu for grande... vou voar para dentro do sentido do valor de outras pequenas coisas. Sentir que há cortinas que se abrem em sorrisos sob olhares brilhantes. Voltar a ver que o descompasso do bater do coração é apenas da emoção.
Por agora quero continuar criança, manter-me na protecção da posição fetal de mão dada com o cordão umbilical...
Quero pensar que o sol brilha sobre flores lançadas ao mar... porque o dia é de festa. Ver nos teus olhos que ainda posso acreditar que há razões para acreditar!
quarta-feira, setembro 28, 2005
Um dia fui o que sou

Sem bálsamo nem incenso sente-se o cheiro do couto de vela agarrado ao prato velho de barro... arde-me a cara nesta réstia de luz. Ilumino o frágil virar de mais uma folha de vida. Página a página passo folhas encarquilhadas pela humidade amarela de tempos em que o tempo não contou. Toco o livro do que fui nas páginas por escrever do que sou. Sinto o indolor e incolor dos retalhos do meu seu ser... doem-me as marcas vincadas na pele da alma. Quem me dera voltar a ser menina do sertão e soltar ao ar tudo o fui e agarrar o que me resta ser no sorriso que ainda sou capaz de esboçar!
terça-feira, setembro 27, 2005
... circunspecção!

Erguem-se imagens escondidas no porão do sonho. Tudo é vago do que emerge da escuridão branca do rio azul esverdeado. No cinza da neblina esvoaça o vulto surrealista de sentimentos e acasos coloridos. Paira a ideia pálida da trajectória do olhar que se perde na descoberta de sombras incertas.
Tenuemente alvorece a mente nos restos desta circunspecção!
quinta-feira, setembro 15, 2005
... cheiro a nós!

Senti que a solidão até me fica bem à cor da pele da alma...deixa-me espaço para pensar em tudo entre o nada .... Prendo-me na madrugada... só... mas aqui! Viva, desperta e refeita de momentos de loucura cometidos no delírio da noite adentro. Bate-me a insónia do sono por dormir. Relembro-me entre lençóis salpicados de areia áspera onde corpos desnudados deslizam no aveludado da pele e se fundem em gotas de seiva humana. Sabe-me a sal a pele que toca os meus lábios... sabe-me a mel o cheiro a nós!
Ficámos assim naquele para sempre do instante breve extasiado.Não sei. Já não sei se tenho tantas certezas, opiniões e verdades na ponta da língua... apenas me parece que já não abro mão de me oferecer porque sou tua!...Cruzo os braços e de perna traçada deixo o tempo voar rasteiro. Sem tempo ou com tempo aprecio este momento em que sou só. Parto... entre pensamentos imaginados e refaço as histórias que vi, porque lhes vivi a emoção escondida!
domingo, setembro 04, 2005
... não me olhes assim!!
domingo, agosto 28, 2005
Bordado de Vida

Que importa tocar piano, falar francês quando os teus dedos bordam pontos de sonho em seda selvagem?!!! Crivas o ponto-pé-de-flor desenhado em tecidos finos no tear do teu saber e viver. Bordas no pano as rugas de mãos delicadas que amassam o pão nosso de cada dia, cavado no pó fino da terra agreste. Ponto... a ... ponto... crescem em panos de linho a estopa de canteiros bordados em terrenos arados por ti. As linhas das tuas mãos, bordadas a ponto cruz, reflectem as dores de filhos paridos... alimentados na tua seiva láctea materna. Geram-se elos vincados em nós que abraçam o laço da fragilidade do teu ser. Desatas os atilhos do teu sentir... libertas as asas do sonho e vagueias os sentidos pelos sons do movimento das crianças. Parada... pareces ter partido na ausência de quem acaba de chegar retomando lentamente a pressa de mais uma flor bordar. Moves os dedos securizantes alinhavando monogramas de fios de lágrimas e sorrisos. Enxugas o rosto no quente do lume do fogão consumida pelo frio do laço que se quebrou no tempo... silenciosamente! Perdeste a conta ao vazio preenchido pelo abandono dos lençóis que perfumaste nas rosas silvestres das águas do ribeiro. Permaneces quieta no bulir agitado do coser de mais um botão de camisas sem dono. Ficam pregados a ti, em pontos apertados de bordados de vida, filhos gerados entre panos de linho branco do que restou da cor do amor! Percorres os teus rituais... reencontras instantes preenchidos a ponto cheio da garantia de que nem sempre consegues ser tu... por eles!
... e viveram felizes para sempre!
Cansados sentamo-nos nas poltronas do balcão retendo na mão os bilhetes da plateia. No conforto da dureza da pedra vimos reflectido no mar o filme da nossa vida . Cada onda trazia consigo o avivar de dias passados no tempo mas ainda tão próximos do coração! “Estás linda, minha querida!”, mesmo sem batom, botox rímel, mini-saia ou saltos altos, gosto de ti assim quando o vento de despenteia! Prendeste-me para sempre na teia verde do teu olhar quando pela primeira vez os nossos olhares se encontraram. Ainda recordo o cheiro doce daquele momento! Contemplo-te sonhadora do que já foi ou poderia ter sido... consciente do que é no presente e será no futuro! Temo-nos aos dois e ao resto do mundo até que o inevitável nos obrigue a mudar de posição nestas poltronas de pedra!
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