quarta-feira, fevereiro 01, 2006

debandada



pedaços de nada...


... agarro memórias presas numa mão cheia de nada e outra com coisa nenhuma... para preencher de tudo!

sábado, janeiro 28, 2006


Soltam-se ... sem controlo... escorregam... sem ordem..... evadem-se... sem prisão...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

... na volta do sossego...






O tamanho das aflições dos outros é a medida das nossas capacidades!

SerendipityMan

terça-feira, janeiro 24, 2006

sapatinhos de cristal


Já não sei! Perdi-me na rota do passado. Queria sair da baía e deixar na doca pensamentos salpicados de sal do mar tempestuoso. Suspensa em mim parei o andar sem saber por onde seguir. Aguardei por um sinal tentando que os meus medos não se tornassem maiores que a nuvem negra que se aproximava. Agarrei com força a corda da âncora que não deixava o barco sair dali... com ele permaneci como a mão do enfermo se agarra à vida! Os marinheiros e as gaivotas tinham seguido para terra firme .. apenas o avermelhado sumido do farol dá sinal de que a vida ainda pode andar por aí... Por aqui? Ou por acolá?... fiquei por ali até que uma mão me indicasse o caminho!

Devagarinho o vento levou a tempestade dali... passou um velho lobo do mar que me deu a mão calejada do leme da embarcação.!
Passou-me a sua capa azul de textura dura e então amoleci na esperança da tranquilidade de um porto seguro... No alpendre da cabana observei o lobo do mar ... De barbas brancas e tez queimada em que cada ruga tem ondas de mil histórias de mar! Ali parado parecia enorme! Olhando o horizonte misturava o cheiro do cachimbo com o fumo do café! Aconchegou nos lábios os raios mornos do sol matinal e ainda disse “Já passou!” .... com as suas meias gastas senti-me uma sereia vestida de lantejoulas e sapatinhos de cristal!

domingo, janeiro 22, 2006

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Manta de Retalhos




Não me esqueci... apenas não me lembrei de regressar do labirinto do silêncio dos passos da caminhada. Ignorei o tempo correr pelas badaladas do pêndulo parado... caminho!
Fazes-me ... refaço-me nos pedaços que ficam do puzzle construído de mim para ti no vice versa de nós. Revejo-me em cada peça que colocas neste patchwork. Conheço cada retalho da manta de vida que nos envolve... aquece! Vou... cruzando a encruzilhada do caminho em passadas que levam do passado presente o que esqueci de mim lá fora...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

... desliza-se no sonho!



A sede vem da viagem de caminhar sobre garatujas enoveladas em esculturas da terra por modelar. As peças mais intimas deste lugar... recorda-me! Preciso verificar cronologias... por acontecer! Por uma questão de tolerância em meada e de coerência em novelo não chamo os sentimentos pelos nomes.

Vou... sobrevoo outros lugares onde se desnudam as dunas sobre o olhar do mar. Perco-me no trilho vertiginoso de afectos arrastando o tender e fundo-me na paisagem. Abre-se, rasga-se e alonga-se até perder de vista a via-láctea de momentos que no brilho das constelações idealizam outros instantes.

Daqui não há que fugir... desliza-se no sonho!

sábado, janeiro 14, 2006

Saída




Improviso uma saída... O túnel é apenas um caminho que se fecha atrás de mim… trilho em que o sol nasce e morre num horizonte em que não sei se há regresso! Vou caminhando pela estrada que ruma entre o tudo e o nada… na ilusão terrena de não ter chegado ao fim. Desta viagem fica um caleidoscópio de cores esbatidas em que os sons suaves de outrora se tornaram pequenos sussurros… Parto no reencontro da minha réstia de luz interior… não perdi… suspendi o impossível!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Do lado de cá...




... imagino as histórias do lado de lá!


(Piodão 2004)

Herança do tempo





Conheces aquelas casas de chão de madeira, de tábuas largas com fendas nas quais se deixam cair para baixo do soalho um alfinete... uma moeda... um botão... um berlinde... um sonho... um desejo... e outras mil coisas que ficam lá escondidas na escuridão?A vida é um pouco como o fundo do soalho, com mil pequenas alegrias e surpresas que vão caindo nas gretas do tempo e se esquecendo no fundo da vida. Isto porque a esperança, a beleza podem diluir-se com a adversidade: a pobreza... vivências negativas... violência... negligência... desamor… entre outras coisas, deixam esquecer mil tesouros que se vão perdendo no tempo. São estas jóias esquecidas que quantas vezes se tentam redescobrir, lado a lado, ultrapassando fantasmas, partilhando tesouros em castelos de sonhos quase reais… umas vezes caminhando de mãos dadas… outras de braços caídos!


(Inspirado num texto que li há muito tempo… não sei o título!) Santarém 2004

domingo, janeiro 08, 2006

(advers)idades




De costas viradas para o mundo... abalam-se as crenças que cresceram no colo quente materno. De costas voltadas para a vida... secam-se as lágrimas das raízes de memórias vindas do calor das palavras paternas.
O vazio do sofrimento não tem balança nem fita métrica que o possa medir... cada um por si fica na sensação da perda! Fica a impressão de que a cidade movimentada ficou sem pessoas, o mar perdeu os peixes e as gaivotas voaram para longe. Só... resta a certeza de que nunca ninguém nos ensina a dizer adeus... e assim se pára, abruptamente, de chamar por alguém que sempre se manteve por perto do coração, lembrando que na vida terminou apenas mais uma etapa das (advers)idades da partida!




sábado, janeiro 07, 2006

Rodopio




Soltas corridas em passadas de criança que se vai tornando menino. Ainda me deixas passar as mãos pelos teus cabelos... Entretida, enrolo os teus caracóis tecendo espirais de dúvidas de como será depois?
Traçarás caminhos de cornucópias e ziguezagues levando contigo as risadas dadas entre cambalhotas, piruetas e as palavras mágicas que trocámos?
Será que vais recordar que o sabão é o primo sujo do sabonete… que a cave é um sótão ao contrário… que a arca dos lençóis é o lençoleiro?
Devagarinho desenrolo, um a um, os teus caracóis, penteando pequenas mechas por entre os dedos… sem conseguir desvendar a ponta do novelo das minhas incertezas sobre o futuro.
Dou-te colo no tempo presente… o resto fica para depois!

Apenas...


... para me lembrar de não me esquecer que ainda se recorda por aqui o cheirinho da loção de Mustela , depois a “Bien-Etre” que trocaste por um "Escada" carérrimo.Foi tão rápido o salto no tempo! Foste dos meus braços, aninhada em panos cor-de-rosa, correndo mundos infinitos de cores de trapos, percorrendo as texturas da vida! Gosto de te ver o rosa e o verde jasmim... porque sim! Aprecio o negro da capa que te abraça os ombros de caloira... porque assim constróis uma pequena parte do sonho do que vais ser quando fores grande!
Ou já és? :)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

(entre)tantos



… alguns são assim! Levam-nos em passeios de baú marcados por recordações de registos fotográficos… em viagens de limusinas de duas rodas que permitem relembrar outras realidades, detalhes, cores, texturas… outros dão-nos colo em conversas caladas estacionadas num banco de jardim… fazem-nos ver que as grades são meras divisórias transponíveis… ajudam a construir e atravessar pontes tornando caminhos mais curtos… navegam nos nossos problemas como fossem também suas essas águas turbulentas … mantêm-se firmes como postes que iluminam mesmo quando o sol já nasceu! Mas mesmo assim, quantas vezes se fica no crepúsculo, sem monotonia da falta de qualquer coisa…!? Só por isso acredito que digas que “Não há paixão, não há amor”… (entre) tantos também se pode sentir solidão e viver pensamentos contraditórios… não sei dizer que não te amo… mas já não sei como amar! Já sentiste isto? Volta-te para os tantos que entre muitos há … porque ninguém é uma ilha nem fortaleza! O mistério do verde do Outono está em acreditar que para alem do gelo branco do Inverno voltarão dias brilhantes cheios de cores quentes da Primavera! Enquanto existir uma réstia de humanidade o amor persistirá… Amar: verbo transito… implica interacção, logo… pede complemento directo!


Conversas entre nós… (entre) tantos de mãe e filha!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Tempo de dizer adeus


Sem olhar para trás… subo degrau a degrau uma escada feita de nuvens. O corrimão da saudade segura a vertigem do vazio! Comigo levo o escuro da sombra do sol e das histórias que ficaram por contar… por viver!
Folhas amarelas entorpeçamo meu andar arrastado no frio da cidade, da multidão que diz as horas faltarem ao dia.
Escorrego pelo nevoeiro… vou aninhar-me no sofá e enrolada na manta de retalhos da vida, vou bordar em ponto cruz cada recordação que ficou!

(terna)mente



... olho o tempo que apagou os restos de nós. Pegas-me a mão tocando a epiderme do meu sentir mas... há coisas que agora já não sei dizer. Ensinas-me!? Ainda guardo segredos de loucos instantes numa caixinha feita de palavras que não se dizem, apenas se escrevem com penas leves em mãos de ágil delicadeza! Palavras de tempos de outrora que correm em cascata de memórias como a água ao sabor da corrente!. Solta-se a saudade de ternos e eternos instantes vividos nas margens das águas azuis esverdeadas em que extasiados olhávamos o sol a apagar-se no horizonte... como os restos de nós!

AGORA... que me importa se os instantes perderam o encanto!? Descobri que a areia tem flores, as estrelas incendeiam caminhos de luz para o infinito azul escuro e que lua espalha as trevas da noite, o sol brinca no firmamento deixando escapar raios que fazem cócegas nos pés e iluminam os cabelos de cabeças sonhadoras! (terna)mente fico aqui... a meio do caminho... sem que alguém me leve da esquina do braço do rio!

Vamos?

quarta-feira, janeiro 04, 2006

(Particular)idades




Hoje secaram-se-me as palavras das lágrimas de emoção que vi no teu rosto. Sem idade, sem identidade ali estivemos suspensas ao espectáculo de seres marinhos em danças valsadas. No silêncio do barulho da multidão trocamos olhares desconhecidos que conheciam a mesma sensação de preenchimento da alma. Foste testemunha das imagens da minha emoção... também eu nunca havia estado tão perto do inacessível sonho por realizar! Olhaste-me na interrogação... quem sabe um dia ainda podemos mergulhar no azul manchado de golfinhos? Revejo o teu olhar...quase parecias uma criança de cabelos brancos tingidos pela magia daqueles instantes.



Já tarde... revejo-te de novo... arrastas o andar da idade mas transportas no coração momentos para reviver... devagarinho levas dali a tua alma preenchida de (particular)idades que inundaram o teu olhar!

segunda-feira, janeiro 02, 2006

...além do lado de cá!


A certeza é a dúvida constante que move o pensamento preso a desejos, quimeras, receios e outras muitas mais dúvidas. Andar em frente podia custar menos quando a decisão dos passos difíceis fossem dados por outros. Que não nós. É a isso que se chama responsabilidade ... o preço de crescer e ser alguém com maturidade. Isto nem sempre é fácil mas nem sempre é impossível. O impossível quantas vezes vive mais no imaginário do que na verdadeira vontade de o ultrapassar e vencer. Já pensaste nisto, heroina? Ouvir com atenção a voz do coração quando o eco da razão apenas faz o ruído da indefinição complica tudo... e tudo parece ficar negro cinza nas gotas transparentes que rolam no teu rosto de menina-mulher. Mas acredita no segredo que te conto baixinho... há algo escondido em ti que, por magia ou outra força qualquer, de um momento para o outro te mostra qual dos caminhos da encruzilhada seguir. Chamam-lhe esperança... será? Ou quem sabe insistência revelada na resiliência do teu ser? Os problemas, dificuldades e incertezas fazem parte deste percurso natural... assim é assustador, mas não o seria igualmente se a rotina se instalasse na eterna monotonia de um viver “sem preocupações”. A sensação de bem estar que move homens e mulheres em cada dia que começa tem muito a ver com a capacidade de mais um problema resolver, mais uma barreira transpor... para depois poder saborear, calmamente, cada vitória de pequenas guerras interiores.
Quando o pessimismo bate à porta há que primeiro ouvir o que se vai dizer com a voz do coração e soltar só depois os gritos surdos da razão... Assim, resta esperar e pensar que os grandes problemas de hoje podem ser as ninharias de amanhã... pontos de vista cómodos!!?... talvez!... mas ajudam a ver para além do lado de cá!

sexta-feira, dezembro 30, 2005





bOla

de

sabãO

terça-feira, dezembro 27, 2005

caminhada















Visto a bagagem de mais uma viagem onde levo a criança que fui e as que criei... as prendas que abri e embrulhei... o que acreditei e desconfiei... os amigos que perdi e ganhei... as pessoas que amo e amei... dias felizes outros nem assim... as memórias feitas do agora no ontem e desfeitas no amanhã... a interrogação do ponto final... as histórias que ficaram a meio e outras por contar... a riqueza que espreito nos Olhares de uns e de outros...a paz que desejo ver mas ainda não chegou... a esperança que quero ter... Entre barreiras humanas tocam-me os sons do nada do que fica por dizer nas palavras que se perdem na tradução por fazer... Caminho tocando o chão como se fosse céu... apenas queria tocar uma estrela mágica e mudar o que há para mudar... porque ainda é Natal!

domingo, dezembro 18, 2005

Serendipity man...



Tempo vai-te da dor enraizada na pele do meu sentir... exorcizo a mágoa pelos passos que o tempo ajuda a dar. Tempo que fica do que passou na passagem do horizonte do passado... penso no presente construindo o futuro de pequenos passados. Olho para trás encontro retalhos da manta que nos acolheu no aconchego do tempo ido sem tempo. Parei ... porque o desfrutei… recordo… ainda!
Cruzado com a árdua batalha travada nas limitações do que fui neste corpo descubro-me na consciência de querer viver... mais... muito! Vencedor deste duelo, ouço as cores dos sons da vida. Aninho-me na recordação, no sonho... de lado ficam os medos e os fantasmas que ocupam um espaço passado.Hoje... presente... sussurro para mim o que revelo aos outros... sou Serendipity man… Entre pequenas coisas encontro o brilho de valiosos tesouros que se cruzam com a simplicidade do acaso dos pequenos momentos, atitudes, gestos… Assim sou Rei de um reinado por redescobrir na atemporalidade. Aprisiono no tempo uma princesa encantada que se esgueira das grades do vermelho do meu coração. Agonizo… por instantes… avanço… pela eternidade do diálogo com a esperança. Então sou o herói deste filme… Serendipity man... que do tempo apenas procura, com tempo, um final feliz!



(Bem hajas, Nuno Pereira, pela história que ouvi sobre um Serenpity man...!)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

7.45

Para trás ficaram...as notícias das 7... os filhos lavados e vestidos... o pequeno almoço na mesa...o gato alimentado...a máquina da roupa a lavar... as camas feitas... o jantar a descongelar... a lista de compras por comprar... o cheque da escola... o duche rápido mas quente... a maquilhagem por fazer... um gole de café... um beijo trocado na pressa da luz de mais um dia!

... aponta(mento)...

Ensinaram-me um dia que cada vez que se aponta um dedo a alguém... quatro dos nossos dedos ficam apontados para nós mesmos! Fica o aponta(mento)...

domingo, dezembro 04, 2005

Ainda não quero ser anjo


Hoje queria ser jardim, ter a cabeça na lua, abraçar as estrelas, fazer telepatia com as nuvens... e chegar aí! Queria ajudar a abrir cortinas feitas de grades e aprender como se escreve na liberdade do azul!Descobrir o que se tem para viver nos raios de sol que brilham mesmo quando o dia parece noite. Queria... ver como se agarra a vida com força e se deixa escapar a adversidade para longe!... Lavar-me nas lágrimas choradas duma vez só e fazer-me à vida reencontrando o prazer deste vício de viver.Quero continuar a ser testemunha de obras desenhadas com o lápis da razão do coração. Edificar momentos em solo firme, onde procuro a cor das minhas asas... porque... ainda não quero ser anjo!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Espero aqui...

Para trás ficaram rastos de sombras de identidades que se perderam no Fim dos Tempos... ou dos tempos sem fim! Divago pela contemplação de um infinito inventado em novos céus que cobrem uma terra diferente... onde o mar ainda é mar!

Por hoje, farei das areias a minha cama, do ar manso do mar e do céu estrelado tecerei uma manta de retalhos para cobrir o corpo do frio ... Assim, adormeço no delírio de sonhar em tons de esmeralda das águas-marinhas e em azuis das marés matizadas pela tempestade! Espero aqui...

... estacionados...


Já fomos sinaleiros da nossa vontade do dia-a-dia de outros dias. Fintámos sinais vermelhos da adversidade, orgulhosamente transpusemos os verdes pois os amarelos podiam ficar para depois! Corremos a auto-estrada da vida, contornando curvas e contracurvas, moderando a velocidade do rumo que quisemos traçar! Fomos donos de portagens e caminhos secundários! Caminhámos lado a lado de mãos dadas por passeios de avenidas e ruelas! Viajámos de carreira, carroças e automóveis mas sempre fiéis às nossas bicicletas! Rodámos quilómetros sem fim de casa para o trabalho e do trabalho para casa… entre a fábrica e o campo… Neste escritório do arado e enxada escrevemos na terra palavras de suor e dor, pelo pão-nosso de cada dia! Agora… olhamos para trás com saudade a leveza duma viagem de anos… e aqui ficamos estacionados com os olhos presos em recordações!

domingo, novembro 27, 2005

segunda-feira, novembro 21, 2005

Abraço o vazio


Abraço a magia de recordações em fotos amareladas de um jornal recente que o tempo não apaga. Restam imagens que permanecem latentes mas presentes em cada gesto do pensamento ausente. Sente-se a ausência perdida em outro além... entre magias com alguns truques.! Então... abraço o vazio... forte!

(insolita)mente

Tão perto de lugar nenhum solta-se a mente...vagueio!Percorro espaços e tempos em que me dispo de ti!Paira ainda o toque súbtil de pele na pele... só a mente me faz pensar em quantos cordões umbilicais terei de cortar!?

Mão que embala o berço...

... na impaciência de horas sem ouvir a tua voz remexo as roupas e encontro a tua mãozinha delicada e mimada. Assim ficamos entre imagens brilhantes das histórias recontadas em volta dos mistérios dos berços solares e lunares. Mão… que te embala o silêncio… acolhe… embala e alimenta com água láctea, perpetuando vínculos agarrados à árvore da vida.Mão… que te deixa apertar o medo e com outra mão cheia embala cantigas de estrelas levando daqui o vento incerto. Mão… que encolhe gestos de zanga e se esconde no regaço para evitar a palmada e com a outra mão embala berços de caracóis rebeldes e cabelos finos de seda.Mão que deixa escorregar os sonhos pela almofada e volta ao repouso… enfim!

(cumplic)idades


... riscam-se no olhar, gesto, toque, atitude... jamais se escrevem! Sentem-se... entre cúmplices em que pouco importam as palavras ou idade!

quarta-feira, outubro 26, 2005


Escuta-se o silêncio depois de mais um dia. Assim vou mudo na música dos pés que pisam o fresco da areia moldada pelas tuas pegadas.
Sigo-me.. deixo-te... apresso-me... alcançarei outras metas por outros caminhos. Quem sabe até pelos mesmos trilhos?
Já não deixo que o meu querer se abale e os meus passos enfraqueçam o pensamento. Mantenho o infinito desejo de continuar pelos caminhos serenos em que a mente submerge. Sigo o dia depois do dia. Sou nómada da noite. Inquieta-me o sedentário das mensagens que não sou capaz de fazer viajar. Afasto fantasmas e lobos maus que ensombram as histórias de fadas e príncipes. Acredito em castelos de areia pintados no céu. Entre passos irrequietos adormeço o olhar no que não quero ver e descortino a beleza de imagens que a rebelião interior me faz olhar. Tenho flores à flor da pele e maçãs no rosto cor de carmim dos lábios que beijei.Para trás fiquei ... irreverente a recordar o abraço que me abraça e me veste a alma de branco. Quantas caricias fizeram de mim um pescador de sonhos sem cana nem anzol !?

domingo, outubro 23, 2005

... lado a lado!


Relatos rasgados no areal levam-nos dali! Naquele além das palavras que me ouves ficas aquém do te digo. Voo em discursos de sal salpicados dos tons dos retalhos das minhas aventuras, ilusões e agonias. Caminhas entre as palavras que articulo e o som articulado das ondas que caem na areia. Metade escutas, outra metade ouves... lado a lado!

sábado, outubro 01, 2005

Acreditar


Quando eu for grande... vou voar para dentro do sentido do valor de outras pequenas coisas. Sentir que há cortinas que se abrem em sorrisos sob olhares brilhantes. Voltar a ver que o descompasso do bater do coração é apenas da emoção.

Por agora quero continuar criança, manter-me na protecção da posição fetal de mão dada com o cordão umbilical...

Quero pensar que o sol brilha sobre flores lançadas ao mar... porque o dia é de festa. Ver nos teus olhos que ainda posso acreditar que há razões para acreditar!

quarta-feira, setembro 28, 2005

(in)color

Um dia fui o que sou


Sem bálsamo nem incenso sente-se o cheiro do couto de vela agarrado ao prato velho de barro... arde-me a cara nesta réstia de luz. Ilumino o frágil virar de mais uma folha de vida. Página a página passo folhas encarquilhadas pela humidade amarela de tempos em que o tempo não contou. Toco o livro do que fui nas páginas por escrever do que sou. Sinto o indolor e incolor dos retalhos do meu seu ser... doem-me as marcas vincadas na pele da alma. Quem me dera voltar a ser menina do sertão e soltar ao ar tudo o fui e agarrar o que me resta ser no sorriso que ainda sou capaz de esboçar!

terça-feira, setembro 27, 2005

... circunspecção!


Erguem-se imagens escondidas no porão do sonho. Tudo é vago do que emerge da escuridão branca do rio azul esverdeado. No cinza da neblina esvoaça o vulto surrealista de sentimentos e acasos coloridos. Paira a ideia pálida da trajectória do olhar que se perde na descoberta de sombras incertas.

Tenuemente alvorece a mente nos restos desta circunspecção!

quinta-feira, setembro 15, 2005

... cheiro a nós!



Senti que a solidão até me fica bem à cor da pele da alma...deixa-me espaço para pensar em tudo entre o nada .... Prendo-me na madrugada... só... mas aqui! Viva, desperta e refeita de momentos de loucura cometidos no delírio da noite adentro. Bate-me a insónia do sono por dormir. Relembro-me entre lençóis salpicados de areia áspera onde corpos desnudados deslizam no aveludado da pele e se fundem em gotas de seiva humana. Sabe-me a sal a pele que toca os meus lábios... sabe-me a mel o cheiro a nós!

Ficámos assim naquele para sempre do instante breve extasiado.Não sei. Já não sei se tenho tantas certezas, opiniões e verdades na ponta da língua... apenas me parece que já não abro mão de me oferecer porque sou tua!...Cruzo os braços e de perna traçada deixo o tempo voar rasteiro. Sem tempo ou com tempo aprecio este momento em que sou só. Parto... entre pensamentos imaginados e refaço as histórias que vi, porque lhes vivi a emoção escondida!